Jovem universitário deve entrar no mercado para produzir criativamente
Por Paula King, do Aprendiz
"Em meu trabalho não produzo nada concreto, que possa ser tocado. Posso trabalhar em qualquer lugar se tiver meu celular e meu computador. Uma produtividade imaterial". É a partir dessa dinâmica, principalmente com o crescimento do setor de serviços no país, que os jovens brasileiros que têm acesso à universidade devem passar a atuar no mercado de trabalho, segundo o economista e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann.
Ele participou da 20ª Bienal Internacional do Livro, que aconteceu em São Paulo (SP) na semana passada. Para falar sobre o tema Mercado de Trabalho, ele utilizou como exemplo seu próprio trabalho e concluiu que diante de tal contexto não há razão que justifique uma jornada de trabalho tão elevada como é imposta no Brasil hoje. Para ele, os profissionais devem trabalhar cerca de 12 horas por semana.
Porém, para fazer parte desse mercado é preciso especialização, e essa só pode ser atingida com anos de estudo. No entanto, para ele, apenas jovens que vieram de famílias com maior poder aquisitivo tem a oportunidade de postergar a sua entrada no mercado de trabalho. "Este grupo pode estudar em outros países, fazer cursos, sem se preocupar em gerar renda para se sustentar, pois suas famílias já se encarregam disso".
Em oposição, a maioria dos jovens de famílias pobres abandona a escola para se sustentar. Para Pochmann a solução para que os jovens de menor poder aquisitivo se mantenham na escola reside em programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família.
Pochmann acredita que o estágio é uma oportunidade para um possível emprego estável, mas não há garantias. "Isso porque parte dos estágios transformaram-se em uma substituição do trabalho adulto, trabalhando mais que deviam e isso atrapalha os estudos e o desempenho na universidade".
Para ele, o estágio deve acrescentar conhecimento ao jovem profissional e estar adequado ao seu desenvolvimento no mercado. Ele também condena os estágios que obrigam o estudante a trabalhar o dia inteiro. "Estagiário precisa se dedicar aos estudos", diz.
(Envolverde/Aprendiz)