02/03/2011

Internet gratuita: Piraí Digital completa um ano com quase mil moradores conectados

Projeto de Piraí do Sul, localizada a 184 km da capital paranaense, se destaca pelo baixo custo de investimento e manutenção. Meta em 2011, segundo prefeito Toto, é expandir o alcance do sinal e abrir telecentros comunitários

O quarto exemplo publicado na série de reportagens Cidade Digital, promovida pela Rede de Participação Política - iniciativa apartidária da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) -, é Piraí do Sul, primeiro município na região dos Campos Gerais a fornecer gratuitamente o sinal de internet aos seus 24 mil habitantes. Elaborado em 2009, o Projeto Piraí Digital foi inaugurado em fevereiro de 2010 e atualmente conta com quase mil usuários cadastrados. Segundo o prefeito Antonio El Achkar (PTB), mais conhecido como "Toto", a ideia de levar internet de graça para a população era uma promessa de campanha. "Desde 2006 encontrava muitas dificuldades de acesso em Piraí, a internet era cara, lenta. E em 2008 incluímos no projeto de governo".

Para ter acesso os moradores precisam estar em dia com o pagamento do IPTU. No entanto, o prefeito ressalta que o mais importante da proposta é colocar os cidadãos, principalmente de baixa renda, todos em condições e oportunidades iguais. "A inclusão é o caminho mais fácil para melhorar a qualidade de vida das pessoas e ninguém sobrevive mais sem internet. Não tem preço que pague a sabedoria", destaca Toto.

O sinal abrange cerca de 75% das moradias e a meta para 2011 é chegar a 100% de alcance, atingindo locais mais baixos e a área rural. "Estamos entrando na segunda etapa do planejamento, aumentando o nosso link (a expectativa é dobrar o sinal contratado para 20MB), mudando o posicionamento e colocando torres mais altas, além de abrir espaços onde as pessoas possam ter respaldo técnico, acessar e aprender a utilizar", explica o prefeito.

De acordo com o ex-secretário de Tecnologia e Informação da prefeitura, Marcelo Prestes Caxambu, responsável pela criação e execução do projeto na localidade, Piraí do Sul também foi pioneira em outro aspecto, em relação às demais cidades digitais brasileiras, ao adotar um modelo de baixo custo para os cofres públicos municipal. O investimento inicial para implantação do Piraí Digital foi de R$3.500, valor destinado, segundo Caxambu, apenas para aquisição dos postes, já que todo equipamento é alugado, bem como a responsabilidade pela gerência do sinal fica por conta da empresa vencedora no processo licitatório, a pontagrossense Irati Comunicações. O custo mensal do projeto é de R$2.700.

São 10MB de fibra ótica contratados atualmente junto à Oi e retransmitidos para a população via rádio por meio de cinco torres espalhadas pelo território. "É um modelo bom e sai barato para o município porque se não teríamos que comprar todo equipamento, gastar mais de R$100 mil, por exemplo, montar e ainda ter uma equipe para manutenção", esclarece o ex-secretário, que se desligou recentemente do cargo. A velocidade de acesso é de 256kb por pessoa, que na opinião de Caxambu, é suficiente para cumprir o propósito do projeto, que é o de promover a inclusão digital e a possibilidade de conhecimento e crescimento pessoal que a rede mundial de computadores pode propiciar aos munícipes.

É o que também destaca o técnico de informática Sidnei Marcos Ribeiro. O morador explica que o serviço é muito eficiente e, por ser de graça, beneficia a população de baixa renda. "A internet que eu pagava antes era rápida, mas muito cara. Com esse serviço da prefeitura eu consigo utilizar bem os recursos que preciso como checar e-mails e ler notícias. Para mim é um benefício apenas, mas para as pessoas carentes aqui da cidade é uma grande oportunidade, pois sem esse sinal eles não teriam condições de acesso", diz.

O comerciante Jurival Fernandes Reis reforça as palavras do ex-secretário e vai mais além. Como usuário, Reis também sentiu os benefícios da internet gratuita no bolso. Proprietário da TV Técnica Brotas, ele foi o responsável pela venda e instalação de 32% das antenas receptoras do sinal nas casas e empreendimentos de Piraí do Sul, quase um terço do total. Pelo serviço, cobrou R$200 por cada kit. "Estou super contente, não só como usuário, mas como comerciante também. Do jeito que está, sendo realista, está excelente. E é uma coisa boa porque muitas pessoas não têm acesso à informação e devido à mensalidade dos provedores torna-se inviável. É gratificante ver a satisfação das pessoas humildes. Hoje em dia a aquisição do computador é fácil, pode parcelar em muitas vezes, e pessoas que jamais imaginaram ter um computador hoje têm. E não só o pessoal da classe baixa ficou contente, mas todos em geral", disse o comerciante que atua no ramo há mais de 20 anos. "A única cobrança é o pessoal do sítio que pergunta direto no Sine (Agência do Trabalhador) quando vai ter para eles", acrescenta Reis.

A residência de Epaminondas Ademir da Silva Filho é uma das que possui antenas de recepção instaladas. O professor universitário possui três pontos de internet em casa, atendendo todos os membros da família dele. Ele exalta a economia que conseguiu fazer por meio da internet gratuita. "Antes eu pagava uma internet privada que me custava mais de R$ 1 mil por ano. É um dinheiro que eu posso investir em outras coisas. É um sinal bom, que não cai e consegue atender todas as minhas necessidades e de minha família", ressalta.

Projeto piloto em Curitiba - O encontro realizado, na última quinta-feira (24), por voluntários do Núcleo de Articulação de Curitiba, da Rede de Participação Política, que discutem a disponibilização de internet gratuita nos bairros de Curitiba, contou com a presença de representantes de empresas de tecnologia, entre elas a Omni Informática, principal parceira da Appel no Paraná, além da prefeitura de Quatro Barras, interessada em implantar um projeto de Cidade Digital neste ano e da Copel, que apresentaram, além de produtos e sistemas, detalhes do Plano Estadual de Banda Larga - Decreto Nº 7990. Organizado pelo grupo Cidades Digitais, o objetivo foi articular possíveis parcerias e conhecer um pouco sobre as diversas ferramentas utilizadas por cada uma das instituições (foto em anexo).

Os detalhes estão no site www.participacaopolitica.org.br

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