Internacionalização, uma ferramenta da excelência na USP
Por Olavo Soares
A reitora da USP, Suely Vilela, que tomou posse no começo desse ano, declarou que uma das principais metas para sua gestão é a internacionalização da USP. Esse termo pode ser traduzido de várias formas; desde parcerias com instituições internacionais, divulgação dos trabalhos da USP na mídia exterior e envio de estudantes da Universidade para escolas em outros países.
Nos níveis de pós-graduação, mestrado e doutorado, a prática já é rotineira há muito tempo, inclusive com a modalidade conhecida como “doutorado-sanduíche”, em que o aluno realiza parte dos seus estudos no Brasil, vai ao exterior, e retorna ao País para concluir o curso. A meta atual é institucionalizar com mais freqüência a realização dos intercâmbios para a graduação.
Experiência
A Escola Politécnica (Poli) é uma das pioneiras da USP no assunto. Envia cerca de 15 estudantes ao ano para o exterior, e recebe também um número significativo de alunos de outros países, como Alemanha, Itália, Portugal e França, entre outros. O diretor da unidade, Ivan Falleiros, define a experiência como “fundamental”. “O aluno que vai para o exterior tem contato com outras culturas, adquire independência e vivência únicas”, resume. Falleiros aponta que esse tipo de experiência proporciona ao aluno uma série de características bem desejadas pelo mercado externo – sem contar o aprendizado real de idiomas. “Uma das primeiras coisas que a pessoa percebe quando vai para o exterior é que, mesmo tendo estudado uma língua por anos, ela não sabe falar efetivamente o idioma. E que vai aprender tendo contato com a realidade do outro país”, comenta.
A Poli é uma das poucas unidades da USP que trabalha com o duplo diploma – ou seja, após o intercâmbio, o aluno recebe um certificado válido tanto no Brasil quanto no outro país, podendo exercer sua profissão nas duas localidades. Na Faculdade de Medicina (FMUSP), o diploma único ainda não é adotado; mas a instituição é uma das que mais valoriza o intercâmbio entre estudantes. O professor Marcelo Mester, presidente da Comissão de Cooperação Internacional (CCInt) da FMUSP, ressalta que, embora na parte técnica não se espere necessariamente “avanços específicos” dos alunos, é indiscutível que a vivência acrescenta muitos conhecimentos para a carreira e o futuro profissional.
Um dos conhecimentos mais importantes que o intercambista de medicina adquire, segundo Mester, é o conhecimento do sistema de saúde de diferentes países. “Na medicina, o fato de existir uma conduta unitária para se tratar de um problema nem sempre é desejável. É importante que existam visões diferentes”, explica o professor. Ele acredita que a vivência em outro país proporcionará ao aluno perceber como que diferentes culturas tratam variadas patologias – costume fundamental na individualização do tratamento.
Mester aponta também que a Medicina trabalhará fundamentalmente para incentivar os intercâmbios na graduação, estimulando que alunos dos primeiros anos da faculdade já adquiram essa experiência.
Além dos benefícios que o aluno recebe, a própria USP é testada. Sim, porque o aluno que vai ao exterior funciona como uma espécie de “embaixador” da Universidade em terras estrangeiras. E na opinião do diretor da Poli, o teste traz bons resultados: “o bom desempenho de nossos alunos em outros países faz com que a Poli seja definitivamente reconhecida como uma boa escola”, diz Ivan Falleiros.
Ganhos
Não restam dúvidas de que os alunos da USP ganham muito quando vão estudar no exterior. E na mão inversa – ou seja, o que a USP ganha com estrangeiros que vêm estudar aqui?
De cara, pode-se falar também do ganho cultural. A presença de pessoas de outros países, com suas diferentes línguas e costumes, contribui e muito para o conceito de “universidade” – ou seja, o conhecimento sem limites, visando sempre a um caráter universal.
Mas também há outras contribuições. Uma das mais significativas é reafirmar a excelência do que é realizado na USP. O diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), Luiz Fernando Pegoraro, lembra de um episódio: “uma vez o diretor da Universidade de Michigan (EUA) fez uma palestra aqui. Após a palestra, abriu-se para perguntas. Quando ele ficou sabendo que as perguntas eram feitas por estudantes de graduação, se espantou, dado o nível dos alunos”, comenta. Pegoraro cita que, em inúmeras ocasiões, a presença de estudantes estrangeiros no Brasil comprovou o alto nível do ensino ministrado na FOB.
“Temos muito a ensinar”, diz Marcelo Mester, da FMUSP. Ele comenta que a procura do Brasil por estrangeiros, tradicionalmente, se dava nas áreas “exóticas” da medicina, como doenças tropicais. Mas a presença de especialistas e estudantes estrangeiros na Unidade mostrou que a FMUSP tem muito a ensinar também nas áreas convencionais.