09/01/2008

Intercâmbio universitário promove desenvolvimento

Por Julia Dietrich, do Aprendiz

Intercâmbios nas férias, cursos combinados e vivências temporárias no exterior são reconhecidas como um grande diferencial no candidato que presta um processo de seleção. Porém, estudar parte da vida acadêmica, seja na graduação ou na pós, em instituições do exterior respondem aos maiores requisitos do mercado de trabalho e dialogam diretamente com a preocupação da colaboração científica internacional.

Tão importante é a troca de experiências e conteúdo entre professores e alunos das universidades do mundo que diversas instituições de pós-graduação exigem como pré-requisito do curso que o aluno tenha feito parte da sua graduação fora do país. Por isso, o governo brasileiro e dos países com interesse e produção acadêmica têm estabelecido redes e parcerias para trocar quadros de funcionários e de estudantes e experiências.

Nesta perspectiva, diversas instituições brasileiras vêm firmando acordos de cooperação internacional que permitem ao estudante conhecer e viver experiências no exterior. Exemplo tradicional para esse tipo de programa é a rede Erasmus que recém completou 20 anos de existência. A rede de intercâmbios tem sua sede na Europa, mas recebe estudantes de diversas partes do globo e a procura é tão crescente que a União Européia aumentou a verba destinada à ação de 1 para 3 bilhões de euros para os próximos sete anos.

Porém, segundo reitor da Universidade Politécnica de Madri, Javier Uceda, a América Latina (dado o ingresso tardio na academia contemporânea) ainda pouco aproveita desse processo. “Na Europa há uma cultura maior de intercâmbio universitário que foi muito bem reconhecido e regulamentado pelo Tratado de Bolonha”, explica.

Como solução e incentivo destas parcerias, o reitor cita a necessidade de se investir na dupla titulação que consiste, basicamente, em ceder dois diplomas diferentes para o estudante que participa de intercâmbios na graduação. “Isso contribui para o desenvolvimento do país. As empresas querem este profissional que tem experiência em outras culturas, que freqüentou outros ambientes e, além da provável proficiência em outro idioma, tem contatos internacionais”, reitera.

Além da própria inserção no mercado de trabalho e do crescimento pessoal, o estudante que investe na graduação e pós no estrangeiro contribui para o crescimento e desenvolvimento científico do país. “Forma-se uma rede, na qual as experiências podem ser discutidas em conjunto. Dados são reavaliados e repensados, quando há espaço para a troca de conhecimento e o progresso científico vem como conseqüência”, explica o presidente da junta diretiva do Centro Interniversitario de Desarollo (CINDA), da Espanha, Carlos Angulo.

Para ele, o intercâmbio universitário deve ser utilizado como ferramenta para garantir a qualidade de ensino. Posição também defendida por Uceda. “Com melhores programas, obtêm-se mais recursos e com novos recursos potencializa-se a relação da pesquisa com as empresas e novamente, são feitos novos financiamentos para a própria universidade. Cria-se um ciclo virtuoso na parceria mercado, capital e pesquisa”, pontua.

Entre os programas que agregam o Brasil ao cenário internacional, destacam-se o Tordesilhas e o Magalhães. O primeiro existe desde 2000 e reúne 22 instituições brasileiras, 13 espanholas e seis portuguesas na perspectiva do ensino colaborativo e da facilidade de intercâmbio para os estudantes e profissionais universitários. Já o Magalhães, trabalha somente com a USP, Unicamp e UFRJ em uma rede de relações com universidades de 25 países europeus e outros 33 da América Latina e Caribe.

Em ambos os casos e mesmo em outros programas, existem diversos tipos de incentivo financeiro e ajuda de custo para manter os intercambistas em outros países. E, além dos programas de colaboração, existem variadas bolsas concedidas por universidades e pelos governos estrangeiros para estudantes brasileiros. Tradicionais universidades do globo reservam inclusive parte de suas vagas para receber intercambistas. “Todos os países desenvolvidos e boa parte dos em desenvolvimento perceberam o quanto é premente internacionalizar o ensino superior. O Brasil, com sua produção científica de alto nível não pode ficar para trás”, conclui Uceda.
(Envolverde/Aprendiz)

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