Integração escola-comunidade reduz violência
Por Ana Loiola, do Aprendiz
Com uma população de aproximadamente 120 mil habitantes, a favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo, abriga uma das mais interessantes experiências de como a integração da escola com a comunidade pode diminuir a violência e transformar todo o local em um grande espaço de convivência.
Diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles desde 1995, Braz Rodrigues Nogueira, conta que, após iniciar um trabalho de mobilização com a comunidade, a violência diminuiu cerca de 50% no período de 2001 a 2005. "Já cheguei na escola com a idéia de que não devemos nos prender aos muros que a cercam. Não basta trabalhar com os alunos sem conhecer os pais e o lugar onde vivem", acredita.
Nogueira conta que a idéia de chamar a atenção para a questão da violência começou em 1999, após o assassinato de uma jovem moradora da favela e estudante da EMEF. "Ao ver o que tinha acontecido com a estudante pensei: nós somos omissos, vemos o que está acontece e não fazemos nada para mostrar que somos contra a banalização da vida". Após conversar com alguns professores e líderes da comunidade, o grupo resolveu transformar a morte da adolescente em uma mobilização geral para obter mudanças.
A escola ajudou a promover uma "caminhada pela paz" que, na época, contou com a participação de outros três colégios da região e alguns moradores. A mobilização, que acontece todo mês de junho, nesse ano contou com a participação de cerca de 30 escolas, além dos moradores que comparecem em peso. "A comunidade se apropriou da causa, além disso, vemos um grande interesse dos alunos em participar. Se as escolas não se interessam pelo movimento, eles participam da mesma forma", diz.
Desde o início do seu trabalho, Nogueira buscou estabelecer um maior contato com professores, alunos e comunidade. "Percebi que não adiantava ter contato só com os professores, por isso me aproximei dos alunos e promovi um curso de educação e cidadania para os pais e lideranças da comunidade", conta.
A forte ligação com a comunidade, além de reduzir a violência, ajudou a otimizar vários projetos. Heliópolis é carente de espaços de lazer. Em conjunto com os moradores e com a União de Núcleos Associações e Sociedades de Heliópolis e São João Climaco (UNAS), o diretor conseguiu construir o primeiro centro poliesportivo do local.
O próximo passo de Nogueira será implantar uma metodologia de ensino baseada nos princípios da Escola da Ponte (http://www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/html2/portug/bemvindo.htm), de Portugal, onde não existem turmas.