07/07/2007

Inpa ensina cultura indígena a estudantes

Socializar o conhecimento sobre a cultura indígena da Amazônia a estudantes vinculados ao Programa de Capacitação de Ensino Escolar, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), por meio de aulas em comunidades tradicionais do interior do estado do Amazonas.

Essa é uma das das atividades promovidas pelo programa que, na última sexta-feira (29), possibilitou aos estudantes uma experiência inédita: uma visita à comunidade indígena Beija-Flor I do Rio Preto da Eva, a 80 km de Manaus, onde vivem 54 índios.

Ligado à Divisão de Apoio à Capacitação e Intercâmbio do Inpa, o programa propõe aos estudantes um aprendizado diferente daquele oferecido nas aulas tradicionais.

Na visita, o grupo de 57 estudantes conheceu a cultura e os costumes de nove etnias (sateré mawé, dessana, baré, baniwa, arara, tukano, mayoruna, tuyuka, marubo), que estão dividas pelas comunidades Beija-flor II e II, totalizando aproximadamente 240 índios.

Na ocasião, os moradores da Beija-flor I apresentaram danças e cânticos tradicionais indígenas, além de terem conversado com os alunos sobre o modo de produção dos artesanatos confeccionados na aldeia, agricultura de subsistência, caça, pesca, comidas típicas etc.

O Tuxaua Fausto Moriá, que recepcionou o grupo, informou que a comunidade foi criada em 1991 pelo norte-americano Richard Melnik. A intenção era montar algo nos moldes de uma cooperativa, na qual os índios vindos do interior do estado produziriam artesanato para comercializar no exterior.

Com a morte de Melnik, os índios fixaram residência no local por acreditarem que a produção do artesanato seria promissora. Ele falou que antes, quando moravam nas aldeias, o transporte e a venda do artesanato era muito difícil.

De acordo com Moriá, morando em Rio Preto da Eva fica mais fácil chegar em Manaus e escoar o que é confeccionado para a Alemanha, Inglaterra e os Estados Unidos.

"Trimestralmente são feitas entre 40 e 50 peças: colares, pulseiras, brincos, arcos e flechas etc, que rendem de R$ 3 a 4 mil. Cada família recebe uma ajuda conforme a contribuição na produção das peças. O auxílio aplicado nos gastos domésticos.

"O que é arrecado não é suficiente para garantir uma vida digna. Falta o apoio dos órgãos competentes, principalmente, da Fundação Nacional do Índio (Funai), que não desempenha seu papel. As comunidades estão abandonadas há muito tempo", alertou o Tuxaua. E acrescentou: "o apoio que recebemos são das missões evangélicas".

Em relação à língua utilizada na aldeia, Moriá explicou que cada etnia fala seu próprio idioma, mas quando se comunicam entre si é utilizado o nhangatu.

"Os mais novos falam o português, mas os pais ensinam o idioma materno para os filhos, assim como têm responsabilidade de passar as tradições. As crianças acompanham os pais nas atividades da aldeia, como agricultura, confecção do artesanato, pescaria, e outras. Anualmente, são realizados rituais dentro da comunidade para a firmação tribal, com o objetivo de mostrar às pessoas que nós somos índios e ainda conservamos nossa identidade cultural", afirmou. (INPA)

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