13/12/2006

Iniciativas transformam a vida de jovens estudantes

Por Julia Dietrich, do Aprendiz

Em "bate-papo" com o jornalista Gilberto Dimenstein, a secretária municipal de educação de Belo Horizonte (MG), Maria do Pillar, contou como a integração entre a comunidade e a escola pode ser uma fórmula para revolucionar a vida de crianças e jovens brasileiros. O caso de BH foi um dos cinco apresentados durante o seminário Seminário Cidades Sem Muros - construção de comunidades de aprendizagem, promovido pela Cidade Escola Aprendiz.

Há 12 anos, Pillar emplacou mudança do ensino fundamental para nove anos obrigatórios, medida reproduzida, hoje, como política pública nacional e o desenvolvimento de um programa de educação que ultrapassasse os muros da escola. O chamado Escola Plural, entre inúmeras ações, possibilita a visitação dos alunos a diversos pontos históricos e educativos da cidade, sempre aliando o lúdico e o divertido aos diversos campos do conhecimento.

Para isso, foi equipado um ônibus temático e outros 11 escolares, além de uma verba própria para que cada escola contrate o transporte que precisar durante o ano. "No início, poucas escolas se inscreviam no programa, mas hoje, já contabilizamos mais de 35 mil visitas guiadas, sendo nove mil delas só neste ano. O que nos mostra que a comunidade escolar está cada vez mais integrada no projeto,"contou a idealizadora.

O programa contou ainda com a sensibilização dos professores sobre a importância de fomentar os jovens na colonização do espaço público, transpondo o espaço físico da instituição de ensino, mas sempre buscando que os educadores justificassem suas escolha de itinerários e o que seria trabalhado com os alunos nessas visitas guiadas.

"Entretanto, percebemos que só isso não era suficiente. Precisávamos garantir que a criança tivesse atividades extras no contra-turno, pensando em buscar o ensino integral", apontou a secretária que trabalhou o conceito de bairro-escola, apreendido no Fórum Mundial de Educação, sediado em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

A equipe da secretária mineira buscou então unir ao Escola Plural, o trabalho de atividades e oficinas no contra-turno, oferecidas por organizações não-governamentais, órgãos públicos e entidades parceiras, proporcionando aos jovens diversas atividades, como, por exemplo, modalidades esportivas, recreação e aulas de natação e informática.

O trabalho se estendeu neste ano a três universidades privadas e duas públicas, aumentando a oferta e o foco das oficinas. "Diversos departamentos da Universidade Federal de Minas Gerais ofereceram 107 oficinas que vão de desenho da natureza à aulas sobre o Direito e a Legislação," comemorou Pillar.

A secretária encantou a todos no evento que aconteceu no Museu de Arte de São Paulo, como parte do seminário comemorativo de nove anos da Associação Cidade Escola Aprendiz, "Cidade sem muros", apresentando depoimentos de professores, educadores e diretores das escolas envolvidas no processo.

Pillar , explicou que certamente o trabalho da comunidade possibilita repensar o molde da educação tradicional, mas segundo ela, ainda há muito em que avançar. "A escola ainda é analógica e nossos jovens são digitais. Precisamos repensar cotidianamente nosso papel na educação."

Dimenstein finalizou apontando como ações como a iniciativa da equipe de Pillar revolucionam a educação e, embora existam problemas na execução de projetos desse porte, a atuação em Belo Horizonte é digna de reconhecimento," aplaudiu o jornalista.

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