19/11/2005

Iniciativa empreendedora destaca escola em Rondônia

Por William Jorge Heron

Trabalho envolvendo a comunidade estudantil de Ji-Paraná usou a metodologia do ‘Aprender a empreender’

Porto Velho - Levar para a sala de aula noções de empreendedorismo. Foi com essa iniciativa que a professora Ivana Limeira Lopes conseguiu destaque para seus alunos, em Ji-Paraná, Rondônia. Natural de Campina Grande, PB, Ivana mudou-se para Ji-Paraná, em 2001, depois de ficar sem alternativa de emprego no Nordeste. Formada em História, Ivana foi aprovada em dois concursos públicos em Rondônia e optou por trabalhar para o Estado como educadora, lotada na escola Instituto Estadual Marechal Rondon.

Aproveitando a iniciativa do governo de implantar no sistema de ensino médio da rede pública estadual o empreendedorismo, a professora começou a despertar nos alunos o interesse por iniciativas empreendedoras. “Depois, descobri que, inconscientemente, já havia feito algo inovador, empreendedor, mas só com os resultados é que tomei consciência do que acontecia”.

Quando surgiu a oportunidade de capacitação para desenvolver a educação empreendedora, Ivana Lopes não perdeu a oportunidade e tornou-se peça-chave. A diferença na forma de educar influiu na cultura de sua escola, que passou a realizar feiras internas para mostrar trabalhos sociais, profissionais, solidários, empreendedores de seus alunos. Os estudantes visitaram empresas reais, entrevistaram empresários e tiveram apoio para desenvolver seu potencial criativo.

A educadora conta que, antes mesmo da capacitação, em julho, já havia desenvolvido projetos que, mais tarde, muito lhe ajudariam a enriquecer a postura e o desempenho de seus alunos. Em agosto, foi implantado o ‘Projeto Escola: Oficina de Empreendedores’.

O projeto

“Partimos do princípio. Reunimos a comunidade escolar, inclusive familiar, e começamos a discutir a importância do empreendedorismo, do planejar para executar. Fomos até o Sebrae, onde conhecemos o conteúdo do kit ‘Aprender a Empreender’, e com ele, a dinâmica de mercado, a concorrência e o consumidor”, argumenta Ivana.

“O que pretendemos é preparar os alunos não apenas para fazer o vestibular, caindo no mercado como mais um candidato a emprego, cada vez mais escasso. Mas, em condições de empreender”, defende.

Com quase 80 estudantes, já ‘contaminados’ pelo empreendedorismo, grupos de trabalhos foram estruturados e criaram-se, a partir deles, 14 empresas, que foram premiadas pelo resultado de seus trabalhos. A premiação foi apenas para os três projetos primeiros colocados: ‘Conseqüências da Arte’, ‘Seul Caixas Hidráulicas’ e uma pastelaria. Todos projetos de empresas, com planilhas de custos, capital de giro e mercado.

Por conta dos efeitos do trabalho da professora Ivana, alguns estudantes conseguiram estágio em empresas visitadas. A empresa segunda colocada conseguiu patentear seus inventos no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). A meta agora é reunir 12 turmas e não apenas duas. A intenção é criar 35 empresas contra as 14 anteriores, elevando também a premiação até o 14º lugar.

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