Inclusão digital da Fundação Banco do Brasil ocorre em aldeia-escola.Pouco mais de 30 anos se passaram desde o primeiro contato do homem branco com os Zoró. Para o cacique Manoel Thoatore, as três décadas de contato com a civilização branca provocaram uma série de mudanças na vida e na cultura dos indígenas e a principal delas, talvez, tenha sido a informatização da aldeia-escola Zawã Karej Pangyjej. O povoado, que fica no noroeste de Mato Grosso, distante 70km de Rondolândia, funciona como semi-internato. Durante o período de aulas, os alunos permanecem na aldeia, assim como o professor.
Para ensinar os indígenas a usar o computador, dois professores, Michel Platini e Robson Miguel da Silva, foram capacitados. Robson é, hoje, o coordenador social da Estação Digital Wawã Paju.
A unidade integra o Programa de Inclusão Digital da Fundação Banco do Brasil, mantido pela entidade desde 2004. A proposta do programa é reduzir o índice de exclusão digital no país, promover iniciação à informática, formar e qualificar para o trabalho e dar condições de acesso a serviços do governo eletrônico. Fortalecer ações de organizações da sociedade civil e contribuir com a melhoria da qualidade da aprendizagem na escola pública são outros focos da ação.
Na Estação Digital Wawã Paju, a Fundação Banco do Brasil instalou um servidor e dez computadores. Nela, há, ainda, uma impressora. A eletricidade da estação é mantida por meio de um grupo gerador, fruto de parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai). O provedor de internet resulta de doação da Prefeitura de Rondolândia e a manutenção dos equipamentos é de responsabilidade da Associação Pangyjej.
A aproximação com o homem branco, diz Thoatore, foi inevitável. Ele conta que as grandes fazendas começaram a ampliar suas divisas e se aproximaram em demasia das aldeias de seu povo. A história desse contato foi contada, na última semana, por dois dos nove clãs dos Zoró, durante uma gincana cultural, organizada pelos indígenas em parceria com a Associação do Povo Indígena Zoró Pangyjej (Apiz). A proposta do evento foi mostrar, aos mais novos, um pouco da cultura daquela nação da floresta. A nação Zoró tem, hoje, cerca de 650 índios, divididos em nove clãs e 23 aldeias.
A nação Zoró revelou uma grande capacidade de aliar conhecimento tradicional à tecnologia de ponta. Por meio do computador e do acesso à internet, os caciques e os jovens estão construindo outra linguagem, outra história, que deixa de ser oral e passa a ser registrada e salva na memória de um computador.
A tribo foi “descoberta” em 1971, mas o primeiro contato entre indígenas e brancos somente se deu sete anos depois. Hoje, os Zoró ainda vivem relativamente isolados. Eles são coletores de castanha do Brasil – colhem até cem toneladas do fruto por ano -, mas até a década de 80, o carro chefe da economia do povo era a borracha. Também fabricam peças artesanais e usam técnicas refinadas na produção de peças artesanais ricamente adornadas.
De acordo com a presidente da Apiz, Lígia Neiva a merenda das escolas Zawakraj Pangyejej e Zawpwej utiliza alimentos tradicionais, como a castanha, a chicha, o beiju de farinha de mandioca e a paçoca de castanha. A parceria é feita com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio do programa de doação simultânea.
Como diria Thoatore: “Ate tuma we paratna jalej ikinia. Tukusep tingi tunga tuma kuba ana tapare kaj weporat na ene kuj tamalu tu tie ta werewa menena wesutna”. Ou, em português claro: o contato do branco foi bom para nós, porque aprendemos a fazer algumas coisas boas que o branco faz; ter uma escola, poder estudar e, também, ter uma Estação Digital que a Fundação do Banco do Brasil fez. (Envolverde/Pauta Social)
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