Ideb é maior em escolas com educação em tempo integral
Levantamento divulgado na última quarta (5) apresenta o Ideb médio das escolas conforme o tempo médio de permanência dos estudantes em atividades escolares no ensino fundamental e no ensino médio
Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 mostram que, em média, as escolas com jornada de sete horas diárias ou mais registram desempenho superior ao das escolas com menor tempo de permanência dos estudantes nas três etapas da educação básica. Esse comportamento é observado em todas as regiões do país e evidencia o potencial da ampliação da jornada escolar como estratégia de fortalecimento das oportunidades educacionais. Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) referentes a 2025 foram divulgados na última quarta-feira, 5 de agosto, pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
No Brasil, as escolas de tempo integral apresentaram Ideb médio de 6,2 nos anos iniciais do ensino fundamental, enquanto nas escolas com jornada inferior a sete horas o índice foi de 6,0. Nos anos finais do ensino fundamental, o índice foi de 5,2 nas escolas de tempo integral e de 4,9 nas demais. No ensino médio, o Ideb médio alcançou 4,7 nas escolas com jornada de sete horas diárias ou mais, enquanto as escolas com jornada inferior registraram 4,3.
Ensino Fundamental – Anos Iniciais | 2025

Fonte: Ideb/Inep, 2025
Ensino Fundamental – Anos Finais | 2025

Fonte: Ideb/Inep, 2025
Ensino Médio – 2025

Fonte: Ideb/Inep, 2025
Regiões – O mesmo comportamento foi observado nas cinco regiões brasileiras. Em todas elas, as escolas de tempo integral registraram Ideb superior ao das escolas com jornada inferior a sete horas nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a Região Sul registrou o maior Ideb entre as escolas de tempo integral (6,7), seguida pelo Sudeste (6,5), Centro-Oeste (6,3), Nordeste (6,0) e Norte (5,5).
Nos anos finais do ensino fundamental, o Sul também apresentou o maior índice (5,6), seguido pelo Sudeste (5,5), Centro-Oeste (5,3), Nordeste (5,1) e Norte (4,7).
No ensino médio, as regiões Sul e Centro-Oeste registraram o maior Ideb entre as escolas de tempo integral (5,0), seguidas pelo Sudeste (4,8), Nordeste (4,6) e Norte (4,4).
Esse resultado deve ser compreendido em um contexto mais amplo: a principal contribuição da educação em tempo integral não é apenas elevar indicadores de desempenho, mas ampliar as possibilidades de desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes.
Mais tempo na escola significa mais oportunidades para aprender. A ampliação da jornada permite desenvolver atividades de aprofundamento das aprendizagens, recuperação de defasagens, acompanhamento individualizado dos estudantes, incentivo à leitura, projetos científicos, culturais e artísticos, práticas esportivas, educação digital, desenvolvimento de competências socioemocionais e construção de projetos de vida. Em outras palavras, cria condições para que o currículo seja desenvolvido de forma mais rica, diversificada e menos condicionado pelas limitações do tempo escolar tradicional.
Esse potencial assume especial importância para estudantes em situação de maior vulnerabilidade social. Para muitas crianças e adolescentes, a escola representa o principal espaço de acesso ao conhecimento, à cultura, ao esporte e à convivência comunitária. A jornada ampliada possibilita oferecer apoio à realização de atividades escolares, reforço das aprendizagens, experiências culturais e esportivas, alimentação adequada e um ambiente de proteção e acolhimento. Ao fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola, a educação em tempo integral contribui para reduzir desigualdades, favorecer a permanência, prevenir o abandono escolar e ampliar as oportunidades de desenvolvimento humano.
Entretanto, ampliar o tempo de permanência dos estudantes na escola, por si só, não caracteriza uma política de educação em tempo integral. O sucesso dessa estratégia depende da construção de um projeto político-pedagógico específico, que atribua sentido educativo ao tempo adicional. Não se trata apenas de permanecer mais horas na escola, mas de organizar novas experiências de aprendizagem, articuladas ao currículo e às necessidades dos estudantes, valorizando diferentes linguagens, espaços e formas de aprender.
Da mesma forma, a implementação da educação em tempo integral exige investimentos na ampliação das capacidades institucionais das redes e das escolas. São necessárias adequações da infraestrutura física, dos espaços pedagógicos, dos equipamentos, da alimentação escolar, do transporte, dos materiais didáticos, da equipe pedagógica e da gestão escolar para que a jornada ampliada seja efetivamente viável e produza melhores oportunidades educativas.
Essa transformação também alcança o trabalho docente. Uma política consistente de educação em tempo integral pressupõe a reorganização da jornada de trabalho dos professores, permitindo que sua atuação ocorra em uma única escola, sempre que possível. Isso amplia as possibilidades de planejamento coletivo, formação continuada em serviço, acompanhamento das aprendizagens, atendimento individualizado aos estudantes e integração entre os diferentes projetos pedagógicos desenvolvidos ao longo da jornada. O tempo integral do estudante torna-se mais consistente quando está associado a melhores condições para o exercício da docência.
Por fim, é importante reconhecer que o Ideb constitui um dos principais indicadores da qualidade da educação básica brasileira, ao combinar o desempenho dos estudantes no Saeb com as taxas de aprovação. Contudo, ele representa apenas uma dimensão dos resultados educacionais. A missão da escola é mais ampla do que aquilo que pode ser capturado por avaliações externas de língua portuguesa e matemática. A educação básica deve promover também a formação ética, cidadã, cultural, científica, artística e socioemocional, desenvolvendo autonomia, criatividade, pensamento crítico, capacidade de convivência e participação na vida em sociedade, conforme dita o Art. 205 da Constituição Federal, “visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania”.
Nesse sentido, os resultados observados nas escolas de tempo integral devem ser compreendidos como um indicativo do potencial dessa política pública, mas não como seu único objetivo. O verdadeiro alcance da educação em tempo integral está na capacidade de ampliar direitos, reduzir desigualdades e oferecer a todas as crianças e adolescentes oportunidades mais amplas de aprender, conviver, participar e construir seus projetos de vida.
Ideb – O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), é um indicador que combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Saeb com as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar, permitindo acompanhar a qualidade da educação básica brasileira. Integra o conjunto de indicadores utilizados para o monitoramento das metas educacionais previstas no Plano Nacional de Educação (PNE). Considerando que a vigência do PNE foi prorrogada até 31 de dezembro de 2025, o índice permanece como referência para o monitoramento das políticas educacionais e para a avaliação dos avanços e desafios na consecução dos objetivos estabelecidos pelo PNE durante o período de vigência.
Saeb – O Saeb, criado em 1990, é um conjunto de avaliações externas em larga escala aplicado bienalmente a estudantes da educação básica. A avaliação é composta por testes e questionários que apresentam informações sobre o desempenho dos estudantes e sobre fatores contextuais relacionados ao processo educacional. As médias de desempenho obtidas no Saeb, em conjunto com os dados de fluxo escolar do Censo Escolar, compõem o Ideb. Os resultados também permitem o acompanhamento de indicadores educacionais por escolas, redes de ensino e unidades da Federação ao longo das diferentes edições da avaliação.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do Inep – 06/08/2026