IA Agravando a Atrofia Cognitiva
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Pode-se afirmar que a Inteligência Artificial (IA) é a tendência atual, sendo utilizada para diversas finalidades: desde planos de negócios e pareceres jurídicos até trabalhos de conclusão de curso e, inclusive, o planejamento de aulas. Diante desse contexto, Durso (2025) questiona como garantir que o desenvolvimento das competências cognitivas, sociais, emocionais e profissionais dos estudantes não seja comprometido em um ambiente educacional influenciado pela IA[1]. A resposta a essa indagação não é simples; como docentes, sabemos que a eficácia do aprendizado dependerá do contexto e de múltiplas variáveis.
O fato é que pesquisas têm demonstrado que a dependência da IA tem agravado a atrofia cognitiva. Isso ocorre devido à automação de processos: ao fornecer os comandos (prompts) corretos ao algoritmo, o objetivo é alcançado. Contudo, essa facilidade traz problemas como o plágio, a falta de integridade acadêmica, decisões equivocadas e o uso de algoritmos tendenciosos ou manipuladores. Tais fatores ameaçam a autonomia e o pensamento crítico, gerando riscos éticos e privando o cidadão de perceber as nuances da vida real.
Heggler, Szmoski e Miquelin (2025) [2] são enfáticos ao discutir os vieses algorítmicos. Segundo os autores, esses mecanismos podem reproduzir injustiças sociais — desde a codificação até o processamento automatizado —, impactando negativamente o desempenho dos alunos e aprofundando as desigualdades. Embora reconheçam que a IA e as inovações tecnológicas sejam grandes transformadoras da sociedade, os autores alertam que a codificação e o compartilhamento de algoritmos nem sempre atendem aos critérios de ética, vigilância, equidade e controle, o que pode acarretar danos aos usuários.
Testes recentes realizados em 2025 e 2026 sobre a escrita de alunos que utilizam ferramentas como o ChatGPT reforçam essa preocupação. Embora essas ferramentas entreguem textos com excelente estrutura gramatical, o desempenho acadêmico dos usuários foi inferior ao daqueles que escrevem com base em ideias próprias. Alunos que produzem sem o auxílio direto da IA demonstram maior originalidade, pensamento crítico mais apurado e melhor retenção de conteúdo. Em suma, a IA, quando mal utilizada, pode levar à atrofia e ao sedentarismo cognitivo, induzindo o profissional a equívocos decorrentes da confiança cega em algoritmos que não estão isentos de manipulação.
Por fim, é fundamental pontuar que a tecnologia não substituirá o profissional da licenciatura. Algoritmos não são capazes de replicar o feeling docente, a escuta pedagógica ou a empatia necessária ao processo de ensino-aprendizagem. Portanto, o professor permanece como elemento essencial e insubstituível no processo educativo.
[1] DURSO, S. D. O.. O USO DA Inteligência Artificial na Educação e o Desenvolvimento de Competências dos Estudantes . Educação em Revista, v. 41, p. e57645, 2025.
[2] HEGGLER, J. M.; SZMOSKI, R. M.; MIQUELIN, A. F.. As Dualidades Entre o Uso da Inteligência Artificial na Educação e os Riscos de Vieses Algorítmicos. Educação & Sociedade, v. 46, p. e289323, 2025.