12/02/2009

Histórias em quadrinhos conquistam espaço dentro da sala de aula

Por Stefano Azevedo, do Aprendiz

 

Além de prosa e poesia, uma nova forma de literatura está conquistando espaço na sala de aula: as histórias em quadrinhos. Desde 2007, o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), do Ministério da Educação (MEC), seleciona livros de quadrinhos para enviar a todas as escolas públicas do país. No primeiro ano foram escolhidos 14 títulos e em 2008 foram 16. Em 2009, a lista subiu para 23 títulos que incluem desde adaptações de clássicos da literatura, como O Alienista, de Machado de Assis, até títulos originais, como Asterix.



O professor de português Carlos Andrade incentiva o uso de histórias em quadrinhos como material didático. Ele é um dos autores do livro Prática de Escrita – Histórias em Quadrinhos, que faz parte de uma coleção que já teve volumes dedicados ao conto, à crônica e à poesia. “Os quadrinhos sempre tiveram muita discriminação como uma literatura menor. Porém eles traduzem questões que avançam na compreensão do sentido”, defende o professor.



Para Andrade, “histórias em quadrinhos permitem construir sentido a partir de outras linguagens que não o texto. As imagens, os balões, os quadros dão para a narrativa um sentido que o estudante aprende a ler”. Segundo o professor, as figuras funcionam como paralinguagem, que ele explica: “Paralinguagem é tudo aquilo que não está na mensagem principal, mas ajuda na construção do sentido. É como os gestos das mãos ou o tom de voz na linguagem oral”.



Dessa forma, como o autor coloca em um ensaio de seu livro, os quadrinhos colaboram para a formação de um leitor proficiente, aquele que numa primeira leitura compreende os aspectos nucleares do que a história quer dizer.



Por fim, o professor também defende o uso de quadrinhos durante o período de alfabetização. “A leitura da imagem precede a leitura da palavra, por isso o quadrinho é um texto que está mais próximo da criança”, explica. Mas faz uma ressalva: “Da mesma forma que o cinema não substitui o livro, os quadrinhos não substituem a literatura. As coisas se complementam”.

 


(Envolverde/Aprendiz)
 
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