Herdade perigosa
Não são simples os problemas vividos pela educação pública em Alagoas. Não são questões recentes, explodidas de uma hora para outra. Para o estabelecimento do atual quadro caótico somam-se vários fatores ao longo de anos. A recorrência dos desabamentos dos telhados das escolas é uma das pontas desse iceberg. Pelas informações divulgadas, teriam ruído tetos “recuperados” há poucos anos, como no caso da Escola Estadual Rosalvo Lôbo, reformada em 2009 segundo declarações de professoras daquele estabelecimento.
Não é anormal numa realidade onde misturam-se sustos vários, desde tiros até desabamento de telhado, que as emoções (e a revolta) possam contaminar o conteúdo das informações prestadas no calor dos acontecimentos, mas é desnecessário dizer que se faz indispensável uma investigação rigorosa por parte das autoridades estaduais acerca da veracidade sobre obras realizadas há apenas dois anos em escolas cujos telheiros têm vindo abaixo com escandalosa facilidade. Grandes somas do dinheiro público têm sido empregadas em inúmeras reformas de escolas públicas. A qualidade dessas obras está posta em cheque.
Sejam por fatos ou boatos a desconfiança está lançada sobre todas essas obras. Afinal o que foi feito com os recursos públicos investidos em reformas nos prédios da rede pública de educação? Apenas nos últimos meses foram dois os telhados desabados em edificações supostamente reformadas. Quais as repostas apresentadas pelas autoridades? Essas respostas não podem ser proteladas. E, mais importante ainda, faz-se indispensável uma nova vistoria nesses imóveis onde se abrigam milhares de crianças e jovens em todo Estado. Que riscos estarão correndo. São problemas antigos, herdados de administrações pretéritas. Mas precisam de respostas eficientes, ágeis, da atual gestão.