Haddad envia funcionários no seu lugar e irrita senadores
Integrantes da Comissão de Educação do Senado se recusaram nesta terça-feira a debater com três representantes do Ministério da Educação a polêmica sobre livros aprovados pelo governo federal que criticam a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Os três foram à comissão para substituir o ministro Fernando Haddad (Educação).
Os senadores ficaram irritados porque ele teria confirmado a presença. O ministro diz ter avisado que não poderia comparecer.
Os parlamentares dispensaram Daniel Silva Balaban (presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), Sérgio Jamal Gotti (diretor de políticas de formação de materiais didáticos e de tecnologias para a educação básica) e Jane Cristina da Silva (coordenadora-geral de materiais didáticos).
"Eles não foram convidados. Nós convidamos o ministro, ele aceitou, deveria ter tido a gentileza de comparecer", disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), presidente da comissão.
Segundo Requião, Haddad não explicou os motivos da sua ausência. "Antes do convite, eu o consultei e ele disse que tinha interesse de participar", disse Requião.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou que a decisão final de dispensar os convidados foi de Requião. "Ele achou que não deveria ouvir outras pessoas, só o ministro. Tem o lado positivo porque vou apresentar requerimento para incluir no debate a questão do livro com problema de português", afirmou.
A audiência acabou realizada com a presença apenas de Jorge Yunes, presidente da Abrelivros (Associação Brasileira de Editoria de Livros Escolares).
Os três representantes do MEC foram convidados a se retirar da comissão e aguardaram o final da audiência em uma sala reservada.
A assessoria do ministério afirma que Haddad informou a Requião que não poderia comparecer. Segundo o MEC, ele está cuidando dos detalhes finais do edital do Enem, que será lançado amanhã.
O MEC diz ainda que o ministro nunca se negou a dar explicações e que o senador sabia que ele não poderia ir.
POLÊMICA
Haddad foi convidado para debater a polêmica sobre livros didáticos aprovados pelo MEC (Ministério da Educação) para alunos do ensino fundamental que trazem críticas ao governo FHC e elogios à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Uma das exigências do MEC para aprovar os livros é que não haja doutrinação política nas obras utilizadas.
O livro "História e Vida Integrada", por exemplo, enumera problemas do governo FHC (1995-2002), como crise cambial e apagão, e traz críticas às privatizações.
Os senadores, especialmente da oposição, iriam aproveitar a audiência para questionar o ministro sobre o livro distribuído pelo MEC a 4.236 escolas do país que defende erro de concordância em um dos seus capítulos.
Da ONG Ação Educativa, o capítulo "Por uma Vida Melhor", diz que, na variedade linguística popular, pode-se dizer "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado".
Segundo o MEC, o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) --normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos.
colaborou DANIEL RONCAGLIA, de São Paulo