Governo anuncia Universidades Indígena e do Esporte
O Governo do Brasil anunciou, nesta quinta-feira, 27 de novembro, a Universidade Federal Indígena (Unind) e a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), em cerimônia no Salão Nobre do Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Na ocasião, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado dos ministros da Educação, Camilo Santana; do Esporte, André Fufuca; e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, assinou os projetos de lei para a criação das universidades e os enviará ao Congresso Nacional.
Lula destacou a criação das universidades como essencial para a dignidade dos povos originários e a valorização do esporte nacional. “Eu não tive oportunidade de fazer um curso superior e, justamente por isso, tenho consciência do que representa um diploma universitário”. Lula ainda completou que “quem tem que fazer o trabalho para ajudar as pessoas é o Estado, é a União, e é isso que estamos fazendo quando criamos novas universidades”.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou o compromisso do presidente Lula com a educação. “Hoje é um dia histórico para os povos indígenas, para o esporte do Brasil, um país apaixonado pelo esporte. Eu queria, mais uma vez, agradecer ao presidente da educação, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo seu compromisso. Nós vamos construir juntos, com todos os ministérios, com a Casa Civil, com os ministérios da Gestão, do Esporte, dos Povos Indígenas, para garantir o sucesso dessas duas novas universidades que o presidente Lula anuncia hoje para o país”.
Hoje é um dia histórico para os povos indígenas e para o esporte do Brasil. Nós vamos construir juntos, com todos os ministérios, para garantir o sucesso dessas duas novas universidades.” Camilo Santana, ministro da Educação
Com a criação da Unind e da UFEsporte, o Brasil passará a ter 71 universidades federais, uma das maiores redes de ensino superior público do mundo. A iniciativa também marca um passo histórico na ampliação do acesso à educação superior pública e gratuita, alinhada às prioridades de governo para a promoção da equidade, da inclusão e do desenvolvimento humano em todo o país. Os grupos técnicos interministeriais trabalharão no projeto ao longo de 2026.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, afirmou que o lançamento “é o resultado concreto dos esforços de professores e professoras indígenas, que há décadas batalham por uma educação pública que leve em conta os saberes ancestrais e não exclua, mas complemente os saberes produzidos pelos não indígenas”.
“Graças a pessoas que ousaram ser diferentes, como o presidente Lula, nós teremos agora uma Universidade do Esporte”, disse o ministro do Esporte, André Fufuca. “Uma universidade para capacitar e preparar os nossos atletas, os nossos gestores públicos, os presidentes de federação, mas, além de preparar para o presente, preparar para o futuro, porque um dos maiores desafios que os atletas brasileiros enfrentam hoje é o dia de amanhã”, relatou.
Unind – A Universidade Federal Indígena (Unind) ficará em Brasília, como uma estrutura multicampi dedicada à formação superior de povos indígenas de todas as regiões do país. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a universidade nasce de um amplo processo de escuta e consulta a lideranças, educadores, jovens, anciãos e organizações indígenas. A Unind terá processos seletivos próprios, com o objetivo de ampliar o ingresso de candidatos indígenas conforme a diversidade linguística e cultural.
Santana recordou que a criação da universidade era uma demanda histórica. “A Unind é uma iniciativa do Governo do Brasil para a formação de indígenas a partir de um modelo educacional que fortaleça as identidades e os saberes tradicionais, em diálogo com a educação não indígena. É uma demanda histórica, que reafirma a diversidade e o princípio da autonomia dos povos originários desse país e fortalece a identidade, a cultura e as línguas indígenas”, disse.
Com a oferta inicial de dez cursos e previsão de oferecer até 48 cursos de graduação, a Unind atenderá aproximadamente 2,8 mil estudantes indígenas nos primeiros quatro anos de implantação. Os cursos de graduação e de pós-graduação a serem ofertados na Unind serão voltados às áreas de interesse dos povos indígenas, com ênfase em gestão ambiental e territorial; gestão de políticas públicas; sustentabilidade socioambiental; promoção das línguas indígenas; saúde; direito; agroecologia; engenharias e tecnologias; formação de professores; e demais áreas consideradas estratégicas para o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas, para a atuação profissional nos territórios e para a inserção profissional indígena em diferentes setores do mercado de trabalho.
Pensada para responder às desigualdades históricas de acesso à educação superior, a Unind tem como pilares a autonomia dos povos indígenas, com a promoção de ensino, pesquisa e extensão sob uma perspectiva intercultural; a valorização de seus saberes, línguas e tradições; a produção de conhecimento científico em diálogo com práticas ancestrais; o fortalecimento da sustentabilidade socioambiental; e a formação de quadros técnicos capazes de atuar em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas.
A criação da universidade é resultado de um processo de escuta e diálogo com os povos indígenas de todas as regiões do país. Em 2024, o MEC, junto ao MPI, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e em parceria com instituições de ensino superior, promoveu 20 seminários regionais para auxiliar a elaboração do documento-base da proposta de criação da instituição, que seria depois discutida por um grupo de trabalho (GT) do MEC.
O GT foi composto por representantes dessas instituições e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei); da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena (Cneei); do Fórum Nacional de Educação (FNE); além de universidades parceiras da educação escolar indígena. O projeto de lei que cria a Unind e a exposição de motivos que fundamenta a proposta ao Congresso Nacional foram elaborados pelo grupo.
Representando os povos indígenas, o professor da Universidade de Brasília, Gersem Baniwa, ressaltou que o momento era de celebração e alegria. “O lançamento da Universidade Indígena representa um marco histórico construído a partir da luta de geração de educadores e pesquisadores indígenas. É o resultado acumulado de debates, propostas e incidências políticas feitas nas bases, nos territórios e nos fóruns de educação, com destaque para o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena”, apontou.
UFEsporte – A Universidade Federal do Esporte é resultado da articulação entre o MEC e o Ministério do Esporte (MEsp) e se fundamenta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), com o propósito de integrar a formação acadêmica, a qualificação profissional e o desenvolvimento do esporte a nível de excelência no âmbito nacional.
O ministro Camilo Santana observou que a UFEsporte era demanda do presidente Lula há muito tempo, para formar profissionais do esporte e fomentar a atividade no Brasil. “A ideia é dar uma grande contribuição a um país que é apaixonado pelo esporte, que descobre grandes talentos, muitas vezes, por iniciativa individual de cada um. Nós estamos querendo ampliar o acesso e colocar isso dentro da ciência, dos estudos, da orientação. Existem técnicas para isso hoje, seja para formação de técnicos, de gestores, de atletas”, falou.
A UFEsporte busca a democratização do acesso à educação gratuita, pública e de qualidade, formando recursos humanos de excelência, com competências e habilidades para a gestão de políticas públicas de esporte. A proposta fundamenta-se também na efetivação das demandas dos setores esportivos e em estudos de impacto e possibilidade de crescimento no setor.
Além disso, a proposta incorpora diretrizes essenciais de inclusão e direitos humanos. Entre elas, o compromisso com a equidade de gênero no esporte, com incentivo às modalidades femininas; o enfrentamento à misoginia, promovendo igualdade de oportunidades e remuneração; a equidade étnico-racial, ampliando o acesso e a permanência de pessoas negras e indígenas; o combate ao racismo no esporte, com formação crítica e atuação profissional qualificada.
A representante dos Atletas Paralímpicos, Verônica Hipólito, contou a sua história de superação, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e ter tido mais de 200 tumores no corpo. “Nós somos muito capazes, e quem mostra isso todos os dias para gente é o esporte, porque o esporte é transversal: esporte é educação, é saúde, é mobilidade, é sustentabilidade. E a gente espera muito que essa universidade seja inclusiva, acessível e diversa, para todas as pessoas que todas nós possamos ocupar todos os lugares, porque isso é o nosso direito”, concluiu.
Dados recentes reforçam a urgência dessas medidas. Segundo o Levantamento sobre Diversidade no Futebol Brasileiro de 2023, 41% das pessoas negras e 31% das indígenas relatam ter sido vítimas de racismo no exercício de suas funções. Estudos da Universidade de São Paulo (USP) mostram que, apesar de 57% dos jogadores da elite do futebol serem pretos ou pardos, a presença de profissionais negros em cargos de liderança continua sub-representada — com apenas 12,5% dos treinadores das Séries A e B em 2024.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu) e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) - 27.11.2025