Glauco Olinger diz em livro que 100 mil deixarão o campo em SC
O ex-secretário da Agricultura, professor agrônomo Glauco Olinger, 91 anos, adverte em seu novo livro, a ser lançado no próximo dia 9/12, na Assembleia Legislativa, que cerca de 100 mil famílias devem trocar suas residências do campo pelos centros urbanos nos próximos 25 anos, em busca de sobrevivência. “A continuar essa política agrícola, tanto do governo federal quanto estadual, o nosso modelo de desenvolvimento rural estará totalmente fracassado”.
O livro, de 422 páginas, intitulado “Agricultura Catarinense – em busca do equilíbrio ecológico –“, é mais um lançamento da Editora Unisul e traz aspectos da ocupação do território catarinense, desde as civilizações pré-colombianas até os dias atuais, relacionados aos problemas agrários, sobretudo aos sistemas de produção agropastoril e seus efeitos no ambiente natural.
Ao salientar que Santa Catarina é o estado que apresenta a menor concentração de terra em poder de especuladores ou de latifundiários improdutivos do país, o professor Glauco Olinger chama a atenção para a importância da agricultura familiar no contexto da ocupação do território catarinense, observando que a presença feminina no campo já ultrapassa em 40% a força produtiva.
Mais de 15% da população ainda desenvolve atividades no campo em Santa Catarina. “Esse índice está acima da média de concentração de pessoas na agropecuária de países desenvolvidos, mas assusta o êxodo rural pela ausência de uma política consistente por parte dos governos”.
O fundador da Acaresc - atual Epagri - coloca como bases do desenvolvimento sustentável da agricultura catarinense o ensino e as ciências agrárias, a pesquisa agropecuária, a extensão rural, o fomento da produção e do crédito rural educativo, o aumento da produtividade dos solos, das águas, dos animais, do trabalho humano e, por via de consequência, das safras catarinenses.
A obra apresenta as principais características de cada região existente no estado e sua vocação socioeconômica em função dos solos, climas e águas existentes. Com a degradação do ambiente natural, resultante da exploração incorreta ao longo do ultimo século, o autor finaliza o trabalho com as bases de um plano agroecológico, de longo prazo, para o estado de Santa Catarina.