21/03/2006

Gestão com responsabilidade social

Por Lilian Burgardt

Especialistas defendem conceito como missão das IES. Saiba por quê

Falar em responsabilidade social está na moda. Basta abrir os jornais, navegar pela Internet, assistir TV, ouvir rádio ou folhear revistas para encontrar propagandas ou reportagens falando de iniciativas que buscam valorizar a ação responsável. Para especialistas, é curioso, porém, que este "boom" sobre o tema não tenha eclodido graças à ação das IES (instituições de ensino superior). Para eles, este seria o caminho natural, já que o papel delas é servir de exemplo para a formação de cidadãos mais responsáveis e preocupados com o universo em que vivem.

De acordo com o consultor Ryon Braga, as IES perderam uma excelente oportunidade de iniciar um processo de modificação que irá se prolongar por muitos anos e ditar regras no mercado. Mas nem tudo está perdido. Apesar das organizações empresariais terem saído na frente e incutido este conceito em suas corporações, é possível que os gestores do Ensino Superior dêem importantes passos para o desenvolvimento da responsabilidade social nas instituições, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

O primeiro passo em direção a este objetivo é entender o significado e a diferença entre duas palavras: responsabilidade social e filantropia. "Muitas instituições investem em projetos de extensão específicos e pensam que assim estão construindo algo em torno da responsabilidade social. O engano é imenso, já que o conceito de responsabilidade social é bem mais amplo", diz Braga. Isto significa que uma ação isolada, cuja comunidade é a única beneficiada, não se traduz especificamente em responsabilidade social. Este último conceito deve ser entendido como resultado de ações que envolvem todos os colaboradores e integrantes da instituição, resultando em melhorias para eles próprios, para as pessoas envolvidas direta ou inderetamente com a instituição e para a sociedade como um todo, em seus mais diversos níveis.

Sendo assim, é preciso lembrar que são de grande valia os projetos de extensão desenvolvidos pelos universitários e apoiados pelas IES. Nem de longe, porém, se traduzem nas únicas obrigações das Instituições de Ensino Superior com a sociedade e, tampouco, são áreas exclusivas em que é possível desenvolver o potencial da responsabilidade social. "Há muito que se fazer como: a organização e melhoria da oferta de bolsas de estudo; qualidade dos processos de seleção de docentes; democratização do acesso ao Ensino Superior; inclusão de portadores de necessidades especiais, entre outras medidas", revela Braga.

Mas como ingressar neste universo sem antes saber algo sobre o tema? Este pode ser o "xis da questão" para muitos gestores. Já a resposta, segundo especialistas, está longe de ser um enigma. Ao contrário, é muito simples: basta exercitar o ato de ouvir. "A responsabilidade social na gestão começa quando a instituição entra em sintonia com seus alunos, funcionários e colaboradores, além da própria comunidade, para saber o que eles têm a dizer a respeito de seu trabalho e sua imagem", diz Braga. A idéia é fazer uma pesquisa avançada identificando os problemas e propondo medidas para resolvê-los, de forma que as soluções sirvam para todos os envolvidos com a instituição", explica.

São inúmeros os casos de sucesso que partiram do simples ato de ouvir. Exemplo disso é a experiência do Ibmec São Paulo, que escutou os apelos dos alunos por professores de qualidade e isso se traduziu em um processo seletivo exigente e trabalhoso, mas considerado pelos universitários muito mais eficiente do que um concurso ou da mera indicação."O sistema é baseado em méritos e aberto a qualquer candidato que queira se inscrever. Nosso objetivo é ter um sistema que selecione os candidatos mais adequados para a área com as habilidades que precisamos", explica o diretor acadêmico da graduação, mestrado e centro de pesquisa do Ibmec São Paulo, Marcelo Moura. Clique aqui para saber mais sobre a história de sucesso da instituição.

Outro exemplo bem-sucedido é o caso da Faculdade Sumaré, que ouvindo seus colaboradores e a sociedade sobre as dificuldades de acesso ao Ensino Superior criou condições para que os jovens pudessem não só ingressar na instituição, mas também se manter nela até o fim do curso. "Nossa missão maior é proporcionar uma educação transformadora, atendendo principalmente as necessidades dos estudantes das classes C e D", afirma o diretor-geral da instituição, João Paulo Santos Netto. "Não queremos que apenas 50% dos alunos de baixa renda, como prevê o sistema de cotas, ingressem no Ensino Superior. Mas que 100% deles tenham esta oportunidade". Clique aqui para saber mais sobre a história de sucesso da instituição.

É claro que na maior parte das vezes as sugestões irão partir dos alunos, mas também há episódios em que elas vêm dos colaboradores, sejam eles docentes ou funcionários. "Há casos de instituições privadas que passaram a eleger seu reitor pelo desempenho que este atingiu em posições estratégicas e de chefia dentro da universidade, não pela simples proximidade e confiança com os donos dos estabelecimentos. Isso demonstra transparência e seriedade na gestão", diz Braga. Outros casos interessantes, acrescenta o consultor, "são as instituições que passaram a investir na contratação de portadores de deficiência para preencher seus quadros de docentes e funcionários... uma forma de oferecer oportunidades de trabalho para estes profissionais e estimular que os alunos portadores de deficiência sintam-se motivados a ingressar nestas instituições já preparadas para recebê-los", diz.

Mostrar para a sociedade o quanto a instituição tem apostado na responsabilidade social dando exemplos reais é o que faz a diferença na hora dela ser considerada engajada ou não a esta idéia. E mais: é o que demonstra o quão à frente ela está da concorrência. "Sem dúvida, a responsabilidade social é um diferencial competitivo", afirma o gerente de Marketing da CM News Consultoria, Rafael Villas Bôas. "As instituições que aprenderem isso mais rápido ganharão mais espaço no mercado perante aquelas que não se adaptarem", conclui.

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