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Os 271 funcionários da Universidade de São Paulo (USP) demitidos na última semana querem que o processo de desligamento seja revertido. Para pleitear a readmissão acontecerá uma reunião com os representantes da reitoria da USP, nesta terça-feira (11/1). Os trabalhadores haviam entrado com o pedido de aposentadoria e permaneciam na ativa, quando receberam a notícia de que não trabalhariam mais na universidade.
“O reitor João Grandino Rodas não veio apenas administrar, mas provocar mudanças profundas no projeto da universidade. Percebemos que ele almeja privatizar e terceirizar os serviços na USP, por isso ocorreram as demissões”, afirma a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Neli Wada.
Neli também acredita que haverá mais demissões em breve. O orçamento da USP para a folha de pagamento foi reduzido de 85% para 80%, enquanto aumentou em 85% a verba destinada à terceirização, de acordo com o Sintusp.
Segundo a assessoria da universidade, a porcentagem diminuiu, porque o orçamento da USP foi maior. Em 2010, o valor destinado à remuneração era de R$ 2,6 bilhões, que correspondia a 85% de um orçamento total de R$ 2,9 bilhões. Para 2011, o orçamento total previsto é de R$ 3,6 bilhões, e a verba para salários caiu para 80% do montante.
A assessoria de imprensa da USP afirmou não ter informações sobre a reitoria estar disponível a readmitir os funcionários, apenas se comprometeu a não demitir mais trabalhadores. Dados de 2009 revelam que a universidade conta com mais de 15 mil servidores técnico-administrativos, 10% deles são de aposentados que continuam trabalhando.
Processo de desligamento
“Pessoas chegaram para trabalhar e não puderam entrar no local, porque já estavam com o seus cartões bloqueados. Saber sobre o desligamento dessa forma é desrespeitoso”, avalia a diretora do Sintusp.
Em nota, a USP disse que deseja "permitir a renovação do quadro de funcionários" para "dar oportunidade de crescimento para as pessoas que estão na universidade". A reitoria alegou que os funcionários demitidos não ingressaram na instituição por meio de concurso público e, portanto, não teriam direito à estabilidade.
“Que eu saiba ninguém entra na USP sem concurso público. Se eles estão dizendo que existem funcionários nessa condição, é preciso descobrir quem foi o gestor público que fez isso. O erro é administrativo e não dos trabalhadores”, rebate Neli.
Logo após as demissões, a universidade informou que serão contratados funcionários para os cargos vagos o mais rápido possível, mas ainda não há data definida para que isso aconteça.
Se a reunião desta terça-feira entre comissão dos demitidos e representantes da reitoria não trouxer resultados positivos, haverá uma manifestação dos funcionários. O protesto está previsto para a próxima quinta-feira (13/1). Também é possível que uma greve seja organizada.
Orientação para os demitidos
O Sintusp realizou, na sexta-feira (8/1), um plantão jurídico para que os advogados da entidade possam orientar os profissionais demitidos.
Outro plantão jurídico está marcado para esta terça-feira, às 9h. A orientação é para que os demitidos não assinem a rescisão de contrato.
(Envolverde/Aprendiz)
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