Formação profissional é destaque entre propostas de mudanças no ensino médio
A formação técnica pode tornar o ensino médio mais atraente? Esta é uma das ideias para aproximar o ensino médio da realidade de seus alunos. O modelo é o Pronatec, criado em 2011 e que já distribuiu dois milhões e meio de bolsas de estudo. Confira também: escolas de Minas Gerais oferecem currículo mais flexível. A reformulação do Ensino médio é o tema da Reportagem Especial desta semana. Confira agora o segundo capítulo, com Karla Alessandra da Rádio Câmara.
Uma da opções para aproximar o ensino médio da realidade de seus alunos é incluir no currículo um curso técnico. Nesse caso, o aluno ao se formar no ensino médio poderá exercer a atividade de nível técnico para a qual foi formado. Mas os alunos reclamam que a jornada de estudo se torna muito intensa, o que desestimula a escolha por esse tipo de formação.
O diretor de integração das redes de educação profissional do MEC, Marcelo Feres, explicou que o ministério tem investido na formação profissional dos alunos - seja durante o curso ou após sua conclusão.
"O país precisa ampliar cada vez mais as oportunidades de educação profissional para os jovens e trabalhadores que possam fazer cursos que vão possibilitar que eles avancem também com chances ocupacionais para ajudar o próprio desenvolvimento do país. E é isso que está acontecendo atualmente por meio do desenvolvimento do programa Pronatec."
O Pronatec foi criado em 2011 e, desde então, já foram distribuídos dois milhões e meio de bolsas de estudo. O objetivo do programa é chegar a oito milhões de estudantes atendidos.
Currículo flexível
Outra alternativa que vem sendo implementada em Minas Gerais oferece um currículo mais flexível que pode ser complementado a partir das escolhas do próprio aluno em diversas áreas de formação.
A secretária de educação, Ana Lúcia Gazolla, informou que o programa "Reinventando o Ensino Médio " começou a ser implementado em 2012 e este ano chega a todas as escolas de ensino médio do estado.
"Nós estamos flexibilizando a estrutura curricular incluindo tutoria no acompanhamento dos alunos. Implantando modelos de percurso com opções para o aluno incluindo a valoração de créditos e atividades feitas fora da sala de aula e da escola, e implementamos áreas de empregabilidade. A escola recebe um cardápio de aproximadamente dez áreas e escolhe três. E o aluno escolhe uma área."
Segundo a secretária, essa formação não dá ao aluno um certificado, como no ensino profissionalizante, mas dá conhecimento sobre o mercado de trabalho, garantindo assim mais chances para conseguir um emprego.
Ana Lúcia defende que a legislação atual seja revista para que as universidades se ajustem à nova realidade que está sendo proposta para o ensino médio com a divisão das matérias por áreas de conhecimento e não mais por disciplinas como é atualmente.
"A formação dos professores dificulta, porque a formação dos professores é disciplinar. Então quando a gente pensa em modelos por campos do conhecimento, interdisciplinares e com temas transversais nós esbarramos na formação compartimentada dos professores. Então o Congresso Nacional precisará legislar para sinalizar para as universidades e entidades formadoras para os novos modelos de escola e de currículo que precisamos implementar."
Universidade mais perto
Para aproximar as escolas das universidades foi criado o Pibid, Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. O programa concede bolsas a alunos de licenciatura participantes de projetos de iniciação à docência desenvolvidos por Instituições de Educação Superior em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino.
A diretora de Formação de Professores da Educação Básica da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Capes, Carmen Moreira de Castro Neves, explica que os alunos que participam do programa mudam a realidade das escolas e das universidades.
"Nesse diálogo entre o aluno bolsista, o pibidiano vê na escola e o que ele cobra da universidade. A universidade começa a tentar responder a essas perguntas todas que o aluno traz, a trabalhar com novas metodologias, novas tecnologias, a rever seu próprio currículo de formação de professores adequando à realidade da escola pública. E a escola pública, ao receber esse bolsista, consegue trabalhar em novas ações dentro da escola aperfeiçoando seu projeto pedagógico, investindo mais na formação dos próprios professores, que às vezes estavam afastados de processos formativos."
O Pibid oferece bolsas em 14 áreas, entre elas: química, matemática, português, história e educação física.
Na próxima reportagem: Câmara propõe que ensino médio seja organizado por áreas de conhecimento - e não mais por disciplinas. Objetivo é a aproximação com o Enem.