Febrace leva 13 projetos a feira nos Estados Unidos
Por Olavo Soares
Para alguns alunos do ensino médio e fundamental, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada em março, foi um evento único. Afinal, deu a eles a oportunidade de conhecer a USP e expor seus trabalhos na maior Universidade do país. Mas para 13 desses, a maior recompensa chega agora em maio: eles foram selecionados para representar a Febrace e o Brasil na Internacional Science and Engineering Fair (a Intel ISEF 2006), na cidade de Indianápolis, nos EUA.
Eles partem para a viagem nessa sexta-feira, dia 5. Com eles segue a professora Roseli de Deus Lopes, docente da Escola Politécnica (Poli) da USP e do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Poli, entidade que coordena a Febrace. A Intel ISEF 2006 acontece entre os dias 7 e 13 e reúne projetos similares de 40 países.
Os 13 alunos são de 9 projetos selecionados pela Febrace para a viagem. Eles são de áreas variadas – indo de exatas, como o “Projeto Aram”, do aluno Denílson Luiz Freitas, de Vitória da Conquista (BA), humanas, como o “ErgOrelh@o - um sistema de comunicação à sua altura. Orelhão com acesso à internet e sistema de regulagem de altura”, de Lucas Rocha Sodré e Wellinton Lima Queiroz Barbosa, de São Paulo, e o “Robô Cortador de Grama – RCG-1”, de Bruno Marques Prescott, do Rio de Janeiro. Na Intel ISEF, os projetos brasileiros competirão de igual pra igual com os dos outros países.
Troca de experiências
Para a professora Roseli de Deus Lopes, conquistas como a participação na feira internacional ajudam a estimular o gosto dos jovens pela ciência – o que é o objetivo principal da Febrace. “Esperamos que essa conquista tenha efeito multiplicador. Os jovens que viajam contam de suas experiência para outros, a imprensa veicula essas histórias, e essa repercussão é fundamental”, comenta. Repercussões positivas causam impacto direto na Febrace – segundo Roseli, pode-se perceber o aumento nas inscrições decorrente da boa imagem obtida pela feira. A professora indica que esse tipo de situação cria um “círculo virtuoso”, com a ciência e a pesquisa sendo as maiores beneficiadas.
A experiência internacional, possivelmente a primeira de alguns dos jovens, pode ser enriquecida também com outros componentes, como destaca a professora: “nessa feira, os projetos são apresentados para membros da NASA, e até ganhadores de prêmio Nobel. É uma oportunidade única”. O encontro com pesquisadores renomados, para Roseli, colabora também para uma “desmistificação” do cientista. “Ao falar com um pesquisador de nome, as pessoas vêem que ele é humano”, brinca a professora.
Há também outro componente fundamental. Ao ver seu trabalho ganhando repercussão internacional, o aluno percebe que possível dar contribuições efetivas à ciência, indo além do ambiente escolar. Com isso, sente-se inserido e com potencial para contribuir com o universo da pesquisa.
Estímulo para novas feiras
Além dos estudantes, a própria Febrace sai ganhando com esse tipo de iniciativa. A feira ganha exposição internacional e o assunto é bem repercutido por aqui; além disso, eventos internacionais como esse permitem que haja o contato direto entre organizadores de feiras de todos os cantos do mundo.
“Quando conversamos com o pessoal de outras feiras, temos conhecimentos de dificuldades e facilidades vividas pelos organizadores de outros países”, explica Roseli. Para ela, esse intercâmbio é vital para a melhoria dos processos desenvolvidos pela Febrace. “Nós podemos conhecer padrões internacionais e assim aprimorar o que fazemos”, comenta.
Para a professora, a natureza da Febrace – de pesquisa investigativa – é uma característica diferencial da feira e configura um dos pontos mais importantes do estímulo à vida científica despertada nos alunos. Na Febrace, os estudantes não somente se dedicam a pesquisar o que já foi publicado sobre um determinado tema. Eles são estimulados a propor algo novo, somar com o que se conhece sobre o assunto.
Histórico de sucessos
A participação na Intel ISEF não é inédita para a Febrace. Mas é um processo que vem crescendo a cada ano, simultaneamente ao sucesso da feira no Brasil – é só comparar que, na primeira edição da Febrace, em 2003, 93 projetos foram apresentados, contra os 650 verificados em 2006.
No ano passado, dois trabalhos da Febrace obtiveram destaque na Intel ISEF. “Milk Tester”, de Carlos Bugs, Clodoaldo Lambiáse e Pedro Castagna, de Esteio (RS), foi o quarto colocado em engenharia nos projetos em grupo; já o projeto “Ação Gastroprotetora do Extrato Etanólico das Folhas de Momordica Charantia”, de Ana Pinheiro e Samuel Lopes, foi o sexto colocado nos projetos em grupo de medicina.
Para Roseli de Deus Lopes, todos os prêmios são “bem vindos”; porém, não é esse o maior objetivo dos estudantes que vão aos EUA. “Nosso compromisso é inscrever projetos. Dar essa experiência ao estudante e valorizar o trabalho que eles produzem aqui”, resume a professora.