Falta de mão de obra – Quando a iniciativa privada gera a sua parte, mas o Governo não.
Não é de hoje que a empresa tem feito o trabalho do Estado. Atentamente temos acompanhado que entra e sai Governo, desse ou daquele partido, e a incapacidade de tornar os recursos arrecadados em benefícios sociais para todos continua sempre igual. O Brasil, como todos nós sabemos, hoje é um dos países com maior carga tributária do mundo. Cerca de 36% do nosso PIB é oriundo de impostos. Além de todas as obrigações fiscais as empresas brasileiras ainda têm que arcar com várias responsabilidades sociais como campanha do agasalho, ajuda para creches e asilos, palestras beneficentes e trabalhos voluntários. Atitude de medicar problemas que parecem não ter remédio e cada ano que passa são mais avassaladores.
Também estão nesta lista infindável apoio em campanhas de preservação a natureza, aportes financeiros fortes e vigorosos na cultura e no decorrer desses últimos 10 anos, com o sucateamento das instituições, principalmente da escola pública, um fenômeno surpreendente tem ocorrido, o nível escolar caiu tanto que a empresa teve também que assumir a escolarização e a qualificação de sua mão de obra. "Toda vez que o Brasil cresce 4,5% ou mais, falta mão de obra qualificada", disse o professor da Universidade de São Paulo (USP) José Pastore, especialista em trabalho. Temos atualmente dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados principalmente na construção civil, mas não apenas neste setor, o vírus também tomou o agronegócio, a hotelaria, em muitos ramos da indústria e também na saúde, é bastante grave. Segundo pesquisa realizada entre empresários brasileiros, 64% disseram ter dificuldades para preencher suas vagas com profissionais que exerçam com qualidade as suas funções. Já em outra realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) os danos são ainda mais impressionantes. A falta de mão de obra prejudica 69% das indústrias brasileiras.
A lógica é tão óbvia que parece um afronte tudo isso que acontece. No momento que não temos mais uma educação básica consistente e, alternativas de desenvolvimento humano continuado a qualificação vai lá pro chão. De um lado o avanço tecnológico, do outro a estupidez de acreditar que o trabalhador moderno serve apenas para apertar botão e bater com o martelo. Em qualquer área, em empresas de pequeno, médio e grande porte, o profissional atual vai necessitar interpretar textos, escrever com o mínimo de clareza, entender de matemática, desenvolver planilhas e apresentações e o mais importante, usar a lógica e o raciocínio.
Uma mão de obra qualificada não é luxo, é artigo de primeira necessidade. Quando fechamos os olhos para isso, particularmente o governo, ele está jogando um balde de água fria em todos os nossos sonhos de sermos uma nação de primeiro mundo. É uma ilusão que poderemos chegar lá sem políticas consistentes para a educação. O MEC tem que estar mais entrosado com as necessidades do mercado, bem como, devem ser criadas leis que ao invés de atrapalhar estimulem e protejam empresários e empresas com iniciativas “in company” voltadas ao desenvolvimento continuo de suas equipes. Pesquisa inédita realizada pela CINAU (Central de Inteligência Automotiva) revelou que Estados brasileiros como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul estão carentes de mão de obra nas oficinas. É de arrepiar os números revelados, pois 97% dos empresários da reparação entrevistados, responderam que a principal razão está em encontrar profissionais qualificados. Se desejarmos crescer como um país que tem dignidade e respeito por si e pelos seus, esse apagão tem que acabar. É preciso colocar luz nesse caminho. Tirar as vendas dos olhos sobre essa situação e não nos deixarmos assistir isso tudo passivamente. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” (José Saramago).