25/05/2006

Faculdades de Jornalismo do RS preocupadas com o meio ambiente

Por Juarez Tosi

Porto Alegre, RS - Existe a preocupação com o meio ambiente nas faculdades de jornalismo do Rio Grande do Sul, mas o que falta são iniciativas para se transformar essa preocupação em atividades práticas.

Essa foi a conclusão do painel Formação e Qualificação do Jornalista Ambiental que ocorreu no final da tarde de sábado, durante o I Congresso de Jornalismo Ambiental do Rio Grande do Sul (I Conjars).

O painel, coordenado pela professora da FABICO/UFRGS e diretora do NEJ/RS, Ilza Maria Tourinho Girardi, contou com a presença dos professores Beatriz Dornelles, da Faculdade de Comunicação Social (FAMECOS/PUCRS); Edelberto Behs, coordenador do curso de jornalismo da Unisinos; Ada Cristina Machado Silveira, chefe do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Lisete Ghiggi, do curso de jornalismo do Centro Universitário IPA e Celestino Perin, do curso de Comunicação Social da UNIJUÍ.

O professor Edelberto Behs lembrou que a visão sistêmica, presente no jornalismo ambiental, não deveria ficar restrita a uma disciplina, mas estar incluída dentro de todos os demais setores do jornalismo. “A visão sistêmica”, sustentou ele, “pode ser uma ferramenta para avançar no propósito de uma política cidadã que chegue às questões sociais. E o jornalismo cumpre essa função social”. Disse que é intenção da Faculdade de Jornalismo da Unisinos possibilitar ao aluno que busque conhecimentos em outros campos, como o ambiental, econômico e político. “Para isso é necessário”, complementa, “buscar cursos de extensão, envolvendo parcerias com ONGs, entidades ambientalistas e profissionais”.

Também a professora Beatriz Dornelles, da PUC/RS, enfatizou a importância de se dar mais atenção ao tema. Ela lembrou que procura contemplar a questão ambiental nas disciplinas que leciona, entre elas a de educação comunitária, além dos Trabalhos de Conclusão de Cursos (TCCs). A PUC/RS possui, desde 1998, o Instituto do Meio Ambiente, que busca a promoção, através do cuidado ambiental, de um Desenvolvimento Sustentável.

Reciclagem do lixo

A chefe do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM, Ada Cristina Machado Silveira, falou sobre as experiências desenvolvidas dentro da Universidade na área ambiental, entre elas, o trabalho de conscientização para a reciclagem do lixo. E lembrou que há grande identificação entre os alunos e os temas ambientais.

Ao traçar um perfil dos estudantes disse: “uma pesquisa mostrou que cerca de 60% dos alunos vêm de escolas públicas e de pequenas cidades do interior e enxergam na comunicação a possibilidade de dar um salto para a vida cosmopolita da uma grande cidade. Eles têm experiências familiares com agrotóxicos, suinocultura ou mesmo poluição das águas, o que facilita a aproximação com o tema ambiental”.

Um dos cursos de jornalismo mais novos do Rio Grande do Sul, o do Instituto Porto Alegre (IPA), criado há apenas dois anos, tenta, segundo a professora Lisete Ghiggi, dar uma direção diferenciada dos demais, pois o aluno já tem cadeiras práticas ao lado das teóricas, desde o primeiro semestre, inclusive com a edição de um jornal standard.

Apostando na realidade da profissão que mostra, segundo pesquisas, que quase 80% dos profissionais estão atualmente trabalhando em assessorias de imprensa, o IPA tem priorizado as cadeiras de jornalismo especializado, como as de agronegocios e meio ambiente, cultural, esportiva, econômica, política, cinetïfica e internacional.

O professor Celestino Perin, do curso de Comunicação Social da Unijuí, lembrou que por ser o berço da monocultura no Brasil, pois a soja começou a ser plantada em grande escala no noroeste do Estado na década de 1950, a região está diretamente ligada às questões ambientais. Segundo ele, o curso de comunicação social da Unijuí tenta dar aos alunos uma formação geral e humanista.

Finalmente, a professora do FABICO/UFRGS e diretora do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ/RS) lembrou que sua faculdade foi a primeira do Brasil a instituir a cadeira de jornalismo ambiental. “Não foi fácil convencer nossos colegas professores de que essa disciplina merecia um espaço maior.

A cadeira foi criada em 2003, mas só foi oficializada no ano seguinte, com o apoio decisivo do NEJ/RS. A conclusão da professora Ilza Girardi foi a mesma dos demais integrantes da mesa: “há preocupação e espaço para se trabalhar o tema ambiental nas universidades”.

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