Expedições para Rondônia aliam formação dos alunos e extensão
Por Olavo Soares, da Agência USP
A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP realiza regularmente viagens com acadêmicos e professores para o município de Monte Negro, em Rondônia. Na cidade, onde há também um braço do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, alunos de odontologia e fonoaudiologia da FOB prestam atendimento aos moradores e ampliam a sua formação. A última expedição da FOB à cidade aconteceu em julho desse ano, e já há outra programada para janeiro de 2007.
A freqüência de viagens à cidade fez com que a FOB instituísse uma metodologia nos atendimentos na cidade. “Já fizemos 12 expedições. Nas primeiras, levantamos as necessidades locais. Agora atuamos com um objetivo mais assistencial”, explica a professora Magali de Lourdes Caldana, do departamento de fonoaudiologia da FOB, e que coordena as atividades da área no projeto.
Na área de fonoaudiologia, um exemplo das atividades realizadas com os moradores locais é a distribuição de aparelhos auditivos. “Em uma pré-seleção, verificamos que 60 moradores tinham a necessidade desse aparelho. Então, nessa viagem de julho, os aparelhos foram cedidos a eles”, destaca Magali. A aplicação de próteses dentárias é um dos pontos chave dos odontólogos que atuam no projeto: segundo a professora, essa é uma demanda grande dos moradores que é contemplada pela ação da FOB no local.
Ganho dos dois lados
A importância de contar com a presença da FOB, uma das mais importantes escolas de fonoaudiologia e odontologia do País, por si só já traduz os ganhos do projeto para os moradores de Monte Negro. A cidade também foi contemplada com uma clínica permanente de odontologia e fonoaudiologia, que, através de parceria entre FOB e administração municipal, deve estar em funcionamento definitivo em breve. Mas há também os benefícios que a unidade adquire. E eles se traduzem de forma direta e indireta.
Diretamente, a FOB ganha com uma iniciativa dessas por permitir ao seu aluno o acesso a um campo de pesquisa ao qual ele não tem contato usualmente no cotidiano da Universidade. “Os alunos saem de uma clínica privada, vão para o meio do mato. Têm contato com doenças como a leishmaniose e a malária, que são típicas daquela região. Conhecem uma realidade nova”, aponta a professora. Outro exemplo de retorno prático para a FOB do projeto se traduz em projetos de pesquisa, como teses e dissertações, que acabam tendo a população de Monte Negro como alvo do estudo.
Nos benefícios indiretos, Magali destaca o amadurecimento e o acúmulo de vivências pessoais que os alunos adquirem ao participar de uma iniciativa desse tipo. “A experiência por si só é muito legal. O ganho pessoal é imenso. O aluno acaba aprendendo a valorizar outras coisas, a aprimorar suas relações”, diz.
Outros projetos
Em janeiro parte uma nova equipe da FOB para Monte Negro. E além dessa cidade, há outras da Região Amazônica que também são contempladas por projetos semelhantes. A FOB integra iniciativas como as expedições coordenadas pelo professor Luís Marcelo Aranha Camargo, do ICB. Em julho, quatro alunos da FOB, dois de odontologia e dois de fonoaudiologia, participaram de uma viagem em que um barco-hospital, pertencente ao município de Porto Velho, desceu o Rio Madeira prestando atendimento às populações locais.