Expedição Iata-Piuna realiza primeiro mergulho no Atlântico Sul
Submersível levou os cientistas ao fundo do Canal Vema, no sopé da Dorsal de São Paulo, a 4,1 mil metros de profundidade
Itajaí/SC - Dia histórico para a oceanografia brasileira. As 9h30 da manhã de ontem, 23, às 8h no Brasil, descia, pela primeira vez, o Shinkai 6500 para exploração na margem continental brasileira. Duas horas depois o submersível toca o fundo do Canal Vema, no sopé da Dorsal de São Paulo, a 4,1 mil metros de profundidade e numa temperatura ambiente de 0,6ºC.
O mergulho integra a expedição Iata-Piuna, que conta com a participação de dois pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), e que pode ser conferido, na internet, pelo www.univali.br/diariodebordo. No endereço são postadas atualizações, diárias, do grupo que realiza a primeira exploração da margem continental brasileira e oceano adjacente utilizando um submersível tripulado. Além disso, na página, também está disponível, no link: "Coordenadas", um sistema que permite o monitoramento do deslocamento do navio japonês Yokosuka, responsável pelo transporte do grupo.
Durante o primeiro mergulho, foram quatro horas de exploração de um território "lunar", e que garantiu a aquisição de uma infinidade de imagens, e algumas amostras valiosas de água, sedimento e alguns animais belos e raros como o octópode Grimpoteuthis. No total, foram nove horas de mergulho sob o comando científico do pesquisador Paulo Sumida (USP), dentro do Shinkai, e de toda a equipe de bordo grudada nas telas do Yokosuka onde as imagens surgiam, via rádio, a cada 10 segundos. O trabalho com as amostras após a subida a bordo do Shinkai terminou na madrugada do dia 24, apenas algumas horas antes do próximo mergulho, que deve ocorrer ao longo dessa quarta-feira.
A expedição Iata-piuna, teve inicio no dia 9 e segue, até 27 de maio. Durante a expedição o grupo da Univali realiza estudos biológicos e geológicos de mar profundo na Bacia de Santos, Elevação do Rio Grande e Dorsal de São Paulo. A iniciativa é a primeira exploração da margem continental brasileira utilizando um submersível tripulado, o Shinkai 6500. Atualmente, este é um dos poucos equipamentos, no mundo, capaz de levar até três tripulantes seis mil metros abaixo da superfície do oceano, produzir imagens em alta resolução das áreas pesquisadas, além de coletar, por meio de braços robotizados, organismos de diferentes tamanhos e amostras de água e solo marinho.
Os resultados obtidos alimentarão o conjunto de informações já publicadas pelo grupo da Univali na área do projeto Mar-Eco Atlântico Sul, que têm atividades apoiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
O projeto fortalece, ainda, o grupo de pesquisa estabelecido como produto do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre os governos japonês e brasileiro em 1985 e ocorre por meio de Acordo de Implementação entre o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) e a Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology (Jamstec), coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores e sob a interveniência do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm).