|
O ex-reitor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) Ruben Becker afirmou desconhecer a concessão de bolsas destinadas à filantropia para políticos distribuírem para filhos e apadrinhados em troca de apoio do governo. Ele prestou depoimento na manhã de ontem na Vara Federal Civil de Canoas, na Região Metropolitana. Realizado por auditores das contas da Ulbra, um relatório mostrou o uso indevido de dezenas de benefícios.
– Na época, a Ulbra tinha 150 mil alunos espalhados por várias cidades. Mais de 10 mil servidores. Centenas de pedidos de bolsas chegavam a minha sala, eu os encaminhava a todos os departamentos da universidade para fazer as análises necessárias – disse Becker.
A autora da ação, a funcionária pública federal Maria Bernadete Lima dos Santos, foca contra a Celsp (mantenedora da Ulbra), a União, o ex-reitor e outros ex-conselheiros do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). O processo pede a anulação da decisão do CNAS que, em 2008, renovou para a universidade o certificado de entidade filantrópica no período de 2000 a 2003, o que implicaria o pagamento de R$ 1 bilhão referentes a impostos que não foram recolhidos por conta da filantropia.
Até 2005, os critérios para encaixar uma bolsa na filantropia não eram claros, afirmou Sirlei Dias Gomes, ex-pró-reitora de estudantes da Ulbra e ex-diretora do Comunicação Social da universidade, que também foi ouvida na audiência. A partir de então, a Ulbra teria se organizado. Ela disse que os auditores podem ter feito uma confusão entre bolsas da filantropia e descontos – oscilavam entre 20% e 100% –, que eram dados a alunos por vários motivos, entre eles o fato de terem irmãos na universidade.
A administração de Becker na Ulbra se iniciou em agosto de 1977 e terminou em abril de 2009, ano que estourou a crise financeira da universidade.
(Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
|