Ex-alunas de Secretariado da Fazu ganham o mundo por meio da profissão
Priscila Romera fala da sua experiência na Angola.
Priscila Romera (gerente administrativa da Angolan Business Corporation, Luanda - Angola), Marta Dias (diretora Administrativa da Alona Cosméticos - Espanha), Beatriz Vieira (secretária executiva de um escritor, em New York – EUA) e Roberta Cristina (gerente administrativa de uma loja de roupas, em Madri – Espanha), são profissionais que exercem funções expressivas em grandes empresas espalhadas pelo mundo. As ex-alunas de Secretariado Executivo Bilíngüe da Fazu têm bons motivos para comemorar a escolha desta profissão. Elas têm acesso a culturas completamente novas e com diferentes formas de exercer a função de secretária executiva. Apesar da saudade da família, elas garantem que a experiência profissional em outro país vale a pena. Em entrevista ao Fazu On-line e de volta ao Brasil, Priscila Romera revela sua experiência na capital da Angola, Luanda, e fala dos reflexos da guerra civil que massacrou a população durante 30 anos e só terminou há dois. Priscila passou três meses naquele país e, agora, aguarda o contato de outra empresa para retornar.
Fazu On-line: Como surgiu a oportunidade de trabalhar na Angola?
Priscila Romera: Tudo começou com um e-mail enviado pelo coordenador do curso de Secretariado da Fazu, Sérgio Luis Hillesheim. Quando vi aquela mensagem, com o anúncio da oportunidade de trabalho, meus olhos brilharam. Comecei a manter contato e participei da seleção. O critério foi simples. A empresa queria uma profissional recém formada, sem muitos vícios, solteira e disposta a mudanças. Dois meses depois de tirar toda a documentação estava eu no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano, aguardando meu vôo para Luanda.
Fazu On-line: Qual a atividade da empresa e que função você exerceu dentro dela?
Priscila Romera: A empresa Angolan Business Corporation – ABC presta serviço ao governo. Ela trabalha com plantas ornamentais, árvores de sombra, agricultura e projetos turísticos. Dentro da organização, eu fazia de tudo um pouco: controlava a agenda do chefe, cuidava de toda documentação de importação de sementes, organizava folhas de pagamento dos funcionários (em média 500 trabalhadores - cada Província tem uma Unidade ABC), desenrolava problemas, fazia compra e venda de produtos.
Fazu On-line: Como gira a economia na Angola?
Priscila Romera: A economia gira em torno dos diamantes e do petróleo. A moeda utilizada é o Kwanza e o dólar. Angola é um país rico, está em total desenvolvimento, tem capital pra investir e os empresários angolanos estão de portas abertas para negociação. A todo o momento há reuniões com chineses, indianos, brasileiros, sul africanos e paraguaios. Mas, para fazer parte da sociedade ou mercado Angola, é preciso ter a influência de algum angolano que apresente seu projeto ou que apadrinhe as negociações.
Fazu On-line: O curso de Secretariado Executivo Bilíngüe da Fazu lhe proporcionou know-how para atuar na empresa?
Priscila Romera: O curso de Secretariado ofereceu base firme e estrutura para meu desenvolvimento dentro da empresa. Tanto no inglês e no espanhol, quanto em toda base de aprendizado. Nas empresas angolanas existem pessoas que se destacam, mas são poucas. Algumas não sabem trabalhar com o computador e com programas da Microsoft, nem mesmo com a internet. Outras têm o raciocínio lento. Elas só fazem coisas se receberem ordens. Não têm iniciativa, nem pró-atividade.
Fazu On-line: Como é o nível de qualificação dos angolanos?
Priscila Romera: A maioria fez cursos técnicos ou cursam ensino médio ou superior. Tem, também, os profissionais formados, que geralmente são de famílias ricas e que estudaram fora do país durante a guerra. Esses trabalham em até três empregos diários, devido à falta de profissionais.
Fazu On-line: Qual foi sua primeira impressão ao chegar em Luanda?
Priscila Romera: Logo no início, já assustei! Fiquei quase duas horas parada na fila da imigração para dar entrada no passaporte. Fiquei junto com várias pessoas, num pequeno espaço. Senti um calor imenso. O aeroporto não parecia ser de uma capital devido à falta de infra-estrutura. Mas logo fui informada que estão projetando um novo aeroporto.
Fazu On-line: Como foi o seu contato com as ruas e pessoas de Luanda?
Priscila Romera: No caminho para o Hotel comecei a ver um pouco da realidade de Angola. Em pleno domingo, as ruas estavam todas lotadas, o engarrafamento era gigante, o comércio funcionava, havia carros e pessoas por toda parte. Logo percebi que em Luanda, a atenção com o trânsito deve ser dobrada, pois lá não tem sinalização, nem semáforo. A lei é de quem passa na frente. Para transitar na rua devemos deixar os vidros fechados, devido à poeira e, principalmente, para evitar as pessoas que pedem dinheiro o tempo todo.
Fazu On-line: A capital tem infra-estrutura para tanta gente?
Priscila Romera: É um país muito precário, principalmente no sistema de saneamento e energia. A guerra que durou 30 anos, no interior ou nas Províncias, levou os habitantes para a capital. A cidade, não tinha infra-estrutura para abrigar os camponeses e toda a população angolana que pra lá migrou. Hoje, Luanda tem problemas sérios como: alta taxa de analfabetismo, sujeira, poluição. Sua população passa de sete milhões de habitantes.
Fazu On-line: E o que você aprendeu com o comportamento angolano?
Priscila Romera: É normal eles pedirem alguma coisa. Os angolanos são preguiçosos e não gostam de fazer muito esforço. A maioria dos trabalhadores fica até as 15 horas no trabalho. Agora que as crianças e os jovens estão estudando e buscando melhorias. Por causa da guerra eles não saíam de casa. Muita coisa foi destruída. De dois anos pra cá, depois do fim da guerra civil, é que as pessoas recomeçaram seus projetos de vida.
Fazu On-line: O que te atrai na cultura na Angola?
Priscila Romera: A cultura angolana é bem diferente da brasileira. Não sei se conheci toda ela, mas o básico sim. A música angolana é bem animada e sensual. Tem o famoso Cuduro (que passou no programa Periferia da Regina Casé). Tem a Quizomba, uma dança sensual e a Tarrachinha, uma dança que une corpo com corpo, bem juntinho.
Fazu On-line: Os angolanos utilizam muitos aparelhos eletrônicos?
Priscila Romera: Os celulares, ipods, notebooks, mp4, televisores, carros e demais eletrônicos são de última geração, pois os angolanos não pagam impostos. Esses produtos chegam livre no país. Cada angolano tem em média de dois a três carros.
Fazu On-line: O que mais te marcou durante os três meses na Angola?
Priscila Romera: Fui a um velório. Faleceu o irmão de um colaborador da empresa. O corpo é velado em torno de três dias. Muita gente participa. As pessoas são atenciosas e carinhosas, choram bastante e cantam durante todo o enterro. Eles também servem "comes e bebes".
Fazu On-line: Como é a relação dos angolanos com os brasileiros?
Priscila Romera: Os angolanos adoram os brasileiros e não gostam dos portugueses. Eles dizem que portugueses são arrogantes e maltratam os negros.
Fazu On-line: Como é a vida de estrangeiro na Angola?
Priscila Romera: Todo estrangeiro que vai trabalhar e morar em Angola tem todos os gastos pago pela empresa, como viagens, moradia, telefone, carro, alimentação e, ainda, tem direito de voltar para o país de origem de três em três meses, dependendo do grau de qualificação do profissional. Os finais de semana são livres para lazer. Eu conheci muitos lugares lindos. Angola, apesar de tudo, tem praias maravilhosas, ótimos restaurantes e muita coisa interessante para se conhecer e dar valor. É uma lição de vida!!!
Fazu On-line: Qual o aprendizado você tira dessa experiência?
Priscila Romera: Apesar de todo sofrimento causado durante anos de guerra, os angolanos são pessoas alegres, gostam de se divertir, gostam de dinheiro, carro, ouro, status e de viver bem. Não convém insultá-los nem bater de frente, pois são bravos.
Isabela Avelar
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