21/07/2006

Estudantes trocam férias por Física

Por Olavo Soares

Física é, juntamente com a matemática, a matéria mais temida pelos alunos nas escolas brasileiras. A frieza dos cálculos pode ocultar um universo fascinante, que está intimamente ligado com a prática científica e a vida profissional. Visando divulgar a profissão de físico e aproximar jovens talentos da Universidade, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP promove, entre os dias 23 e 30 desse mês, a VI Escola Avançada de Física.

Um total de 40 estudantes participará do programa. Eles trocarão uma semana de férias por sete dias de estudos avançados de física, quando conhecerão laboratórios, salas de aula e centro de pesquisa da IFSC e incubadoras de empresas. A carga horária é intensa: das 8 às 22 horas, em todos os dias.

“Escolhemos estudantes de todo o Brasil, avaliando seu currículo escolar e desempenho em olimpíadas de física e ciências”, explica o professor Eduardo Ribeiro de Azevedo, coordenador do encontro. De fato, as origens dos estudantes são variadas: há uma predominância de paulistas, tanto da capital quanto do interior; mas participarão também alunos de Minas Gerais (interior e capital), Goiás e Tocantins, entre outros estados, de escolas públicas e particulares.

Aproximação

“Procuramos desmistificar o que é a física”, comenta Azevedo. O puxado ritmo a que são submetidos os alunos colabora para que os mitos sobre a física caiam, já que os estudantes passam a conhecer mais do trabalho do profissional da área. Um dos principais mitos é de que o trabalho em física é unicamente teórico: para modificar essa opinião, os estudantes conhecem incubadoras de empresas e outras iniciativas práticas de físicos relacionados à IFSC.

O professor destaca que a Escola tem “enfoque no empreendedorismo”. “Uma das etapas do programa é a visita ao Parque Tecnológico de São Carlos, e depois passarão por outras empresas. Assim eles conhecerão físicos e terão mais noção da realidade do nosso trabalho”, diz Azevedo.

Resultados

Pode-se dizer que, pelo fato do maior objetivo do programa ser aproximar os jovens estudantes do mundo científico, os resultados da Escola Avançada sejam verificados de maneira indireta, através da formação de mais interessados em pesquisa. Mas existem também os resultados práticos: nos últimos dois anos, integrantes da Escola estiveram entre os 10 primeiros da Fuvest – com até um primeiro lugar alcançado na classificação geral do vestibular. Esse aluno, o primeiro colocado, optou por seguir a graduação de física no IFSC, motivado pelo que aprendeu durante suas férias. “Após conhecer o instituto, cresce a motivação e a vontade de entrar na Universidade”, diz o professor Eduardo Ribeiro de Azevedo. E uma das provas do interesse que nasce nos jovens estudantes aparece, como destaca o professor, na semana de aulas: “eles passam o dia inteiro fazendo o curso. E depois do término das aulas, às 22 horas, muitos ainda têm perguntas, trazem dúvidas, o que é muito bom”.

No final do curso, os alunos apresentarão uma espécie de trabalho de conclusão, um seminário que será avaliado por uma banca composta por professores do IFSC. Essa etapa também serve para precisar o conteúdo que foi absorvido pelos estudantes, além de experimentá-los na rotina de apresentações científicas.

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