07/12/2006

Estudantes escrevem carta para pedir a preservação do rio Macaé

Eco Cidadão entrega as primeiras 75 cópias do documento aos jovens mobilizadores.

Alunos de quatro escolas ribeirinhas da rede municipal de ensino de Macaé, no Norte Fluminense (RJ), redigiram uma carta à população da cidade. No documento, eles pedem aos moradores que se unam à campanha Preservar o Rio Macaé: Ação de todos. Nesta quinta-feira (7), o Programa Eco Cidadão entregará as primeiras 75 cartas impressas aos 50 estudantes do projeto de formação de mobilizadores sociais juvenis. Ao longo de dezembro, os alunos distribuirão o manifesto em suas comunidades, onde conversarão com os moradores sobre a importância de não poluir a principal fonte de água da cidade. O rio Macaé passa por grave processo de assoreamento, destruição da vegetação de Mata Atlântica e contaminação da água por lixo e esgoto. A degradação ambiental é causada, em grande parte, pela ocupação irregular das margens, uma das conseqüências do crescimento desordenado do município, cuja população mais do que dobrou nos últimos 25 anos.

O documento ganhará novas cópias no ano que vem. O próximo passo da estratégia de sensibilização será levar o apelo às autoridades públicas. “É muito positivo ver o comprometimento e a participação ativa e consciente dos jovens, compartilhando responsabilidades e desejos de viverem em um ambiente mais equilibrado e saudável. Estimular práticas de cooperação é o nosso papel. Esperamos que a carta sensibilize as pessoas e mude visões, sentimentos e comportamentos em relação ao rio Macaé”, afirma, otimista, a pedagoga Marielza Cunha Horta, coordenadora executiva do Programa Eco Cidadão, desenvolvido pela ONG Centro de Estudos Ambientais e de Cultura Contemporânea (CEAMC), em parceria com a Prefeitura de Macaé.

Os jovens mobilizadores receberão a primeira leva de cartas durante a última oficina de capacitação do ano. Na ocasião, serão discutidos os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater a AIDS, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental; e estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. O encontro contará com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que doará o material educativo, e da Termomacaé, que distribuirá brindes aos estudantes. Além de palestras e atividades educativas, a oficina irá promover uma degustação de chá com ervas plantadas e colhidas pelos próprios alunos das escolas Neuza Brizola, Pescadores de Macaé, Botafogo e CIEP Nova Holanda. “Nós desenvolvemos com eles um projeto de agricultura urbana. Com mudas doadas pelas comunidades, os estudantes fizeram o plantio de ervas aromáticas e medicinais em hortas criadas nos pátios dos colégios. O objetivo é incentivar a organização comunitária e trabalhar as questões da segurança alimentar e da economia doméstica e solidária. Buscamos uma cidade mais verde e inclusiva”, explica Marielza.

Criado em julho de 1997, o Programa Eco Cidadão convoca o desejo dos moradores de viver em um ambiente mais limpo e saudável. Através da educação ambiental permanente, a iniciativa busca transformar os valores e atitudes das pessoas, despertando a consciência da população para a importância da preservação da natureza, da limpeza urbana, do consumo consciente e do comportamento solidário, ético e moral. Em pouco mais de nove anos, a mobilização contínua conseguiu reduzir em mais de seis toneladas o descarte diário de lixo nas vias centrais da cidade. A poluição das praias também diminuiu consideravelmente. São duas toneladas a menos de lixo por dia. Sem mencionar que a utilização correta das lixeiras públicas aumentou em 70%.

Os resultados levaram o trabalho a conquistar o reconhecimento internacional. Em 2002, o Eco Cidadão ficou ente os 40 finalistas do Prêmio Internacional de Dubai para Melhores Práticas. O programa ainda recebeu outros dois prêmios da Organização das Nações Unidas (ONU). Em dezembro de 2003, o Eco Cidadão foi homenageado pelo Programa de Gestão Urbana (PGU) com diploma em reconhecimento aos avanços obtidos em Macaé. Oito meses depois, o trabalho participou do Fórum de Barcelona como um dos 42 projetos no mundo que mudaram a realidade das cidades. A conquista mais recente aconteceu em novembro de 2004, quando o programa foi um dos cinco vencedores do Prêmio Energy Globe, concedido pelo Ministério do Meio-Ambiente da Áustria, em conjunto com a União Européia.

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