25/03/2010

Estudantes em Assis têm merenda produzida por pequenos agricultores

Em Assis, município do interior de São Paulo, os alimentos servidos para as crianças nas escolas são adquiridos diretamente dos pequenos produtores da região. Desde fevereiro deste ano, a Associação dos Produtores Rurais de Assis e Região (Aprumar) repassa à Divisão de Alimentação Escolar, da Secretaria Municipal da Educação, dez toneladas mensais de produtos.

Assis foi a primeira cidade do estado a colocar em prática o que determina a Lei Federal 11.947, de 16 de junho de 2009, que obriga os municípios onde houver agricultura familiar a adquirirem 30% dos produtos utilizados na merenda escolar diretamente de pequenos produtores locais.

O nutricionista responsável pela Divisão de Alimentação Escolar, Eduardo Pimentel Nicolosi, ressalta a melhora na qualidade dos alimentos. “Primeiro, porque o tempo da colheita até o momento do consumo foi reduzido, assim as crianças ingerem produtos mais saudáveis”. Quando os alimentos provinham de grandes produtores, os elementos que compunham a merenda percorriam uma distância de pelo menos 100 km até chegar na cidade. “Muitos produtos são cultivados com menos agrotóxico, de forma até mesmo próxima do orgânico”, acrescenta.

A nova merenda é consumida por 18 mil crianças por dia, sem contabilizar as creches, de acordo com a Secretaria Municipal da Educação. Além dos estudantes, a iniciativa beneficia148 produtores rurais. “Quem fornece a mercadoria são os próprios pais de alunos da zona rural. Junto com as famílias dos agricultores, o nosso comércio local também é favorecido, porque o dinheiro gira na própria cidade”, revela a presidente do Conselho Municipal da Alimentação Escolar, Claudia Teodoro de Oliveira.

O vice-presidente da Aprumar, José Aparecido Fernandes, diz que com a medida os pequenos produtores estão sendo mais valorizados. “É a realização de um sonho. Como já estávamos organizados em associação, foi mais fácil implementar a lei”, destaca.
 
No entanto, Fernandes lembra que ainda há dificuldades para o progresso da agricultura familiar na região do Vale do Paranapanema – que reúne 21 cidades, dentre elas Assis, como município sede. “Vencer o cartel e o monopólio está complicado, porque eles acabam coibindo os políticos. Já tentaram inviabilizar e acabar com o incentivo que é a nova medida”.

Ainda falta investimento

O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que enquanto o agronegócio contrata 3,5 milhões de trabalhadores, a agricultura familiar emprega 13 milhões.

Por outro lado, o anúncio das verbas destinadas aos setores de agronegócio e agricultura familiar, para os anos de 2009 e 2010, apontou disparidades entre os investimentos. O agronegócio brasileiro receberá R$ 93 bilhões, mais de seis vezes o valor destinado aos pequenos produtores – R$ 15 bilhões.

Fernandes acredita que a agricultura familiar, apesar de ser responsável por 70% da produção de alimentos do país, ainda é pouco valorizada. “A região do Paranapanema, contava com 30 mil produtores rurais. Hoje, só temos sete mil. A falta de incentivo provocou o êxodo rural. O camponês teve que vender ou arrendar suas terras para a monocultura da cana-de-açúcar e teve que ir embora”, lamenta.


(Envolverde/Aprendiz)

 
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