Estudante da Unisul de Tubarão realiza sonho de conhecer a Índia
A acadêmica da Unisul Thaís Domingos viajou ao país para fazer trabalho voluntário, deu aulas de Inglês a crianças carentes, conheceu o jeito indiano de negociar e fez muitos amigos
Thaís Domingos com os alunos indianos, em Nova Delhi. Na foto maior, a estudante visita o Castelo dos Ventos, na cidade de Jaipur
Thaís Domingos acaba de chegar da Índia. Estudante do quinto semestre de Relações Internacionais da Unisul de Tubarão, ela aproveitou a viagem para conhecer a maneira indiana de fazer negócios; visitou fábricas, empresários e andou por mercados públicos. “Quis entender o jeito deles de fazer as coisas. Brasileiros e indianos não se conhecem muito bem”, diz. Mas, sobretudo, realizou um sonho: “desde que entrei na Universidade, tenho vontade de conhecer a Índia. A cultura e a tradição do país me encantam”, conta.
A viagem durou dois meses e meio e foi realizada pela ONG Aiesec, que possibilita hospedagem e alimentação a estudantes interessados em fazer trabalhos voluntários ou remunerados em outros países. “Pesquisei as formas de fazer o intercâmbio e todas elas tinham um preço muito alto. Com a ONG, os custos da viagem foram menores. Em troca, prestei trabalho voluntário ensinando o idioma Inglês a crianças indianas carentes”, relata.
As aulas aconteciam numa sala improvisada a céu aberto, na cidade de Nova Delhi, capital da Índia. Cerca de 30 crianças, com idades entre cinco e 12 anos e que não frequentavam a escola – por serem muito pobres – assistiam às aulas de Híndi e de Inglês, respectivamente, os dois principais idiomas. “Foi um trabalho bastante complicado, mas valeu muito a pena. As crianças eram muito carinhosas”, lembra a acadêmica.
Segundo país mais populoso do mundo, a Índia tem cerca de 1 bilhão de habitantes. 70% da população tem como religião o Hindu. Outros 25% são mulçumanos. “A tradição ainda é muito forte lá. Conhecia uma menina que tinha uma vida independente, trabalhava e morava sozinha. Mas esperava que a mãe escolhesse o homem com quem ela iria se casar. Isso me impressionou bastante”, revela.
Embora avesso à intimidade de abraços e beijos em público, o povo indiano se mostrou bastante cordial. “Em nenhum momento me senti sozinha. Eles são muito carinhosos e acolhedores, e se preocupam com a gente de verdade”, afirma Thaís. Antes mesmo de viajar, ela já tinha alguns amigos indianos, com os quais conversava pela internet a fim de praticar o Inglês. “Muita gente fala fluentemente lá”.
Também antes de viajar, Thaís pesquisou bastante sobre as tradições na Índia. No entanto, não saiu incólume ao choque cultural. “A comida era muito apimentada. A falta de higiene foi outro problema. Eles não usam sabonete nem papel higiênico”, relata. A estudante conta ainda que raramente andava sozinha pelas ruas do país e que, onde quer que fosse, suas roupas e a cor de sua pele chamavam a atenção. “As pessoas ficavam paradas me olhando, sem disfarçar”.
Enquanto estava em Nova Delhi, uma lembrança triste: uma jovem indiana foi brutalmente estuprada e espancada por cinco homens dentro de um ônibus. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu dias depois. “A cidade estava entristecida. Vi muitas manifestações violentas da população. Eles culpavam a polícia. Infelizmente, segundo li nos jornais de Nova Delhi, isso é algo comum lá. A cada 20 minutos, uma mulher indiana é estuprada”.
Além da capital, Thaís também conheceu as cidades de Jaipur, Ahemedabad e Agra, onde está localizado um dos monumentos mais conhecidos do país, o Taj Mahal. “Conheci muitos lugares e pessoas. Também fiz muitos contatos. Pretendo voltar em breve”.