Estudante com deficiência conquista diploma
r Juncklaus e o estudante Manoel Alair Rodrigues da Luz
O acadêmico Manoel Alair Rodrigues da Luz, 43 anos, quebrou um paradigma. Com deficiente intelectual e alfabetizado aos 28 anos, conseguiu chegar ao fim do curso de Educação Física, na Unisul de Tubarão. Ele apresentou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na última segunda-feira (3/12), foi aprovado pela banca examinadora e vai se formar em Educação Física. O trabalho “Relação do desempenho escolar com a prática da natação” concluiu que alunos que praticam o esporte têm melhores médias na escola. Manoel pesquisou o desempenho de estudantes da oitava série ao segundo ano do ensino médio.
Manoel, que é popularmente chamado de “sorriso”, foi um aluno com participação acima da média. Acompanhou muitas disciplinas como ouvinte, antes de cursá-las de fato, e aproveitou todas as oportunidades oferecidas pela Universidade. “Ele se saiu melhor que muitos outros estudantes, porque foi mais esforçado”, afirma Juncklaus. Depois de seis anos, a recompensa de todo o esforço vai vir com a cerimônia de colação de grau, marcada para o dia 23 de março de 2013. “Estou muito feliz porque vou me formar. Não imaginava chegar até aqui”, diz Manoel.
O estudante cursou licenciatura e disse que pretende cursar também o bacharelado em Educação Física. Já está cursando algumas matérias. Atualmente ele atua como árbitro da Federação Catarinense de Atletismo e de Natação, além de trabalhar na APAE de Tubarão, onde também estudou. “Quero aprimorar o esporte da APAE”, planeja. Ele foi o primeiro ex-aluno da instituição a ingressar na universidade.
“Foi um trabalho verdadeiramente interdisciplinar”, destaca o professor do curso de Educação Física Richard Sene, que orientou a pesquisa de Manoel. Ele relata que, ao lado da professora Márcia Meurer – do Programa de Acessibilidade da Unisul -, discutiu e decidiu a melhor forma de auxiliar o estudante a concluir o TCC. Sene destaca o otimismo com que Manoel venceu os obstáculos. “Durante todo o curso, não ouvi ele reclamar sequer uma vez”, conta.
“Ele é especial por duas vezes. Pela dificuldade que ele tem e pela força de vontade que demonstra”, diz o coordenador do curso, professor Moacir Juncklaus.