24/01/2006

Especialistas divergem sobre fim das palmadas

Os pais podem ser proibidos de dar palmadas nos filhos, se depender da vontade da deputada Maria do Rosário (PT-RS). Foi aprovada na última semana pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), da Câmara dos Deputados, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 2.654/03 - que proíbe qualquer forma de castigo físico em crianças e adolescentes – que será agora encaminhado ao Senado, sem a necessidade de ser votado pelo plenário da Câmara.

O pai, professor ou responsável que punir fisicamente a criança poderá ser denunciado a programas oficiais ou comunitários de proteção à família, e ser encaminhado a tratamentos psicológicos ou psiquiátricos e a cursos de orientação, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Avaliações - A coordenadora do Núcleo de Análise do Comportamento (NAC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lídia Weber, comemora a aprovação do projeto. Pesquisadora há mais de 13 anos do tema, ela é autora do livro “ Eduque com carinho ”, que defende o uso de outras formas e regras para uma boa educação, que não precisa de força física. “Várias pesquisas, inclusive internacionais, comprovam os prejuízos que as palmadas podem causar em uma criança, como gerar uma pessoa violenta e deprimida. Até mesmo porque, quando uma criança recebe uma palmada ela tem uma obediência imediata, o que não significa que aprendeu a lição”, explica ela. E acrescenta: “É possível obter o mesmo resultado com outras formas mais carinhosas que ensinam a ter respeito sem se utilizar da agressividade”.

Para a psicóloga e psicanalista da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Rosa Maria Mariotto, a questão vai além de ser “contra” ou a “favor” da medida. Ela acredita que não deveria ser feita uma interferência no modo da família educar os filhos. “Isso é algo privativo. É claro que deve haver órgãos competentes para os casos de abusos, dependendo das causas e conseqüências”, explica ela.

Rosa diz que a educação mais próxima do ideal é aquela na qual os pais sigam uma conduta condizente com o que falam. “Muitos pais seguem a educação baseada no diálogo, mas apresentam exemplos totalmente diferentes para seus filhos”, reclama ela.

A psicóloga também diz que a lei pode ocasionar diminuição da autoridade dos pais ao ensinar e aplicar aos filhos as regras de comportamento que lhes serão exigidas na sociedade. “Sou a favor de uma intervenção em casos nos quais as crianças apresentem sofrimento psíquico, mas vale ressaltar que já atendi pais que apanhavam dos filhos”, afirma ela.

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