Especialista propõe formação em leitura para professores
A coordenadora das Jornadas Literárias de Passo Fundo (RS) e doutora em teoria literária, Tânia Rösing, propôs na última sexta-feira (25), ao Fórum de Literatura na Escola, em Brasília, mudanças imediatas nos currículos de formação dos bibliotecários, “que é onde está a ferida”, e a formação inicial e continuada dos professores em leitura.
Para Tânia Rösing, o bibliotecário precisa ser um animador cultural, o transformador da realidade, o catalisador das ações da escola. Para alcançar esse objetivo, ela sugere que o currículo dê ao estudante da graduação uma visão de trabalho com os alunos, os professores, coordenadores, diretores, servidores da escola e a comunidade e não apenas do espaço físico da biblioteca, como um cuidador de prateleiras de livros. Além da formação não dar respostas às necessidades das escolas públicas, a maioria delas não conta com um profissional. Quem cuida da biblioteca da escola, diz, é um servidor sem formação ou um professor em desvio de função, o que torna a biblioteca um dos espaços menos procurados.
No caso dos professores, a formação em leitura tem hoje pouco peso e importância. Tânia Rösing sugere que o tema integre os cursos de formação inicial dentro das universidades e que seja parte dos cursos continuados. "O desafio é chegar a um professor com letramento literário", porque é a leitura que forma platéias. O ideal de país, diz, é formar leitores literários em todas as áreas do conhecimento. "Professores, médicos, engenheiros que lêem são profissionais muito mais qualificados, mais completos, mais interessantes".
Dados do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) apresentados no fórum indicam que o país tem um número razoável de bibliotecas, mas apenas 2% delas têm um bibliotecário responsável. Os dados do CFB mostram a distribuição das bibliotecas pelas regiões: Sudeste, 20.608 bibliotecas; Sul, 13.330; Nordeste, 12.266; Centro-Oeste, 3.544; e Norte, 3.194.
Os participantes fizeram ao final do fórum uma série de recomendações aos ministérios da Educação e da Cultura, promotores do evento. Entre as recomendações destacam-se a reintrodução do estudo da literatura nas diretrizes das escolas da educação básica; e a criação de um guia para os professores onde a biblioteca seja o cérebro da escola e o professor o mediador da leitura.
(Envolverde/MEC)