Escolas precisam voltar a ensinar
Por Karina Costa, do Aprendiz
"É preciso que as escolas atendam sua principal função: a de ensinar. A rede municipal é confusa. O diretor administra a falta dos professores, separa uniformes e cadastra bolsa-família ao invés de fazer um trabalho com sua equipe e com os pais dos alunos". A constatação é do secretário de educação do município de São Paulo Alexandre Schneider, que apresentou a situação das escolas da rede municipal de ensino durante o IX Seminário Nacional do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), que aconteceu na capital paulista.
Segundo o secretário, a burocracia e a falta de mobilidade também fazem parte da rotina da educação paulistana. "A escola tem pouca autonomia de gastos. Uma aprovação para contratar um professor para sala de informática ou de leitura passa por muitas mãos antes de ser atendida. O tempo vai passando. Quando a proposta chega na pessoa certa, o problema já saiu do foco", exemplifica.
Schneider apontou que o currículo não padronizado em toda a rede e a "olimpíada" que é feita a partir das avaliações de desempenho são também questões que interferem no andamento da escola. "Como cada um faz seu currículo, se o aluno mudar de escola ele corre o risco de ter aulas sobre o que já aprendeu ou mesmo entrar numa turma mais adiantada", explica. "Sobre os sistemas de avaliação, devo lembrar que não são feitos para saber quem é melhor ou pior. É um instrumento para o professor ter condições de avaliar onde acertou e onde precisa melhorar", enfatizou.
Mudanças e perspectivas
Mesmo entre todos os problemas, o secretário acredita que muita coisa está mudando. São destaques: a inserção do Programa Ler e Escrever - Professor auxiliar na sala de aula, hoje implantado em 1.500 salas de 1º à 4º série. Schneider comemora também o plano de garantir cinco horas de aula diária aos alunos do ensino fundamental, ao mesmo tempo em que a escola passe a atender somente em dois turnos. "A equipe escolar tomou isso como meta, tanto que já temos 150 escolas que deixaram de atender três turnos e todas as escolas do município oferecendo uma hora a mais de aula", garantiu.
A remuneração dos professores, aumentada em forma de gratificação, valor que chegou a 54% do piso, também foi comentada pelo secretário. "Porém, o salário continua inadequado e esse dinheiro não significa melhora de desempenho. Estamos fazendo o possível, pois não dá para sujeitar os professores a baixos salários", defendeu.
Schneider conta que a educação infantil faz parte das metas de melhoria que a Secretaria Municipal de Educação busca para a cidade. "Nosso movimento é o de adequar oferta e qualidade para que não aconteça o mesmo que aconteceu com o ensino fundamental, que universalizou sem qualidade", criticou. A eliminação das salas de lata também está na lista de preocupações. "Já eliminamos todas as escolas de lata, mas ainda há 24 salas nesse formato, estamos nos esforçando para retirá-las", revelou.
Outra vertente de trabalho da secretaria é a educação integrada. Para isso, projetos como o Clube-Escola, segundo o qual clubes esportivos municipais recebem os alunos em períodos alternados aos das salas de aula para programas culturais, de esporte e de saúde, são alternativas.
"Também será implantado em setembro um projeto que tem por objetivo fiscalizar a educação. Pais serão informados sobre o que deve ser ensinado e aprendido na escola para que possam cobrar possíveis faltas cometidas", explica. Avaliações a cada dois anos também deverão ser implantadas na rede. Segundo Schneider, alunos da 2º, 4º, 6 e 8º séries do ensino fundamental passarão por testes. Está prevista também a inserção de materiais de apoio as aulas de matemática e para a educação especial. A assistência social também será uma das secretarias integradas. "Nesse caso queremos prevenir que problemas domésticos sejam assumidos pelos professores", concluiu.
(Envolverde/Aprendiz)