| Por Alexandre Saconi e Talita Mochiute, do Aprendiz | Manter as portas da escola sempre abertas para a comunidade. Discutir os problemas coletivamente em assembleias, utilizando princípios da gestão democrática. Esses são alguns procedimentos que contribuem para evitar casos de violência no Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) Campo Limpo, localizado na zona sul da cidade de São Paulo (SP).
Segundo a coordenadora geral do Cieja, Eda Luiz, “cabe sempre o diálogo”. Desde 1999, Eda adota essa postura para coordenar a escola com um público bastante diferenciado. São mais de 1 mil alunos, incluindo pessoas com deficiência, idosos e jovens em situação de Liberdade Assistida – medida socioeducativa destinada a jovens em conflito com a lei.
“Nossa preocupação é com o lado do conhecimento, o lado cognitivo. Do que nos vale saber o que ele já fez? Nos preocupamos em auxiliá-los em se tornarem conscientes de suas decisões”, explica Eda.
Para promover a reflexão, a escola incentiva o debate. Há grupos de discussão na entidade. Um deles trata do tema da violência. É comum os alunos relatarem episódios de abordagem policial. Quando são parados pela polícia no bairro, dizem que são do Cieja. Muitos policiais perguntam: “Lá da Dona Eda?” e prosseguem até a escola para verificarem a informação.
“Dialogamos muito com a Guarda Civil Metropolitana. Participamos sempre das reuniões de segurança com a sociedade”, afirma Eda.
A coordenadora também se esforça para transformar problemas em oportunidades educativas voltadas à comunidade. “Se o aluno pichou a escola, o convidamos para dar uma oficina de artes, sobre pichação e grafitti”, comenta Eda.
Novo Espaço
O diálogo e a mobilização com a comunidade ajudaram a reformular a Escola Estadual Francisco Brasiliense Fusco, localizada no bairro do Jardim Umarizal, zona sul da capital paulista. Em junho de 2005, estudavam cerca de 900 alunos na instituição que apresentava problemas de infraestrutura (goteiras, depredações, pichações) e de violência – eram cerca de 50 registros policiais por ano. Hoje a escola, com prédio reformado, conta com 1900 alunos. O número de registros policiais caiu para dois por ano.
A polícia só é chamada em último caso. “Quando sei de possíveis brigas na hora da saída, chamo os alunos para conversar”, comenta a diretora da escola, Rosângela Macedo Moura.
“Quando assumi a direção, peguei a escola em um estado lamentável. Estava jogada às traças. Meu desafio foi mostrar para comunidade que isso poderia mudar. Reuni e pedi a ajuda de todos. Ninguém acreditou no início”, lembra Rosângela.
Como a verba do governo não supria a carência de anos de abandono da escola, a diretora procurou parcerias com empresas privadas. Em 2006, a instituição conseguiu o apoio de um grupo de agências de publicidade. Além da revitalização do espaço, a escola ganhou biblioteca, sala de informática, brinquedoteca e laboratórios de química.
De acordo com a diretora, o processo de reforma foi trabalhoso. Houve muita negociação com a Secretaria de Educação para que a escola fosse autorizada a fazer mudanças fora dos padrões previstos para edificações públicas de ensino. “Hoje a escola está lindíssima. A comunidade toma conta da escola”, diz Rosângela. (Envolverde/Aprendiz) |