Escolas Cívico-Militares e a Pedagogia da Submissão
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
É interessante observar políticos de extrema-direita afirmarem que as escolas públicas são doutrinárias e seus professores, marxistas. Alegam que isso é prejudicial, mas o que realmente temem é o desenvolvimento da parte mais valiosa do aluno: o discernimento embasado no conhecimento e na consciência política e de classe. Isso a elite não quer.
As falas acima encontram suas justificativas nas falas de Paulo Freire quando afirma que o sistema não teme o pobre que passa fome, teme o pobre que sabe pensar, o que nos leva a perceber que educação crítica é um instrumento de libertação, tornando-se assim uma ameaça à manutenção do poder.
Dito isso, a escola cívico-militar surge como estratégia para subtrair a criticidade do aluno, tornando-o um indivíduo servil, docilizado e em plena conformidade social. Tomemos como exemplo o estado de São Paulo. Poder-se-ia dizer que não há critérios para a escolha dos monitores, mas seria um ledo engano: o critério parece ser a conivência com ideologias autoritárias.
No primeiro dia de aula em Caçapava-SP, um monitor escreveu três palavras na lousa; duas continham erros gritantes “descançar” e “continência”. Enquanto isso, o governador afirma que o diploma tem cada vez menos relevância perante o mercado. Essa conjunção de fatores prepara o aluno para a completa alienação. As palavras escritas — descansar, sentido e continência — revelam uma preparação para a obediência automática, o que não implica educação, mas adestramento.
É uma estratégia para que alunos de escolas públicas, ao se tornarem adultos, simplesmente obedeçam aos filhos das elites, que estudam em instituições com estruturas superiores. Esse processo invalida especificidades e trata a criticidade como subversão. Como diria Nietzsche, a maior prisão é viver segundo o olhar do 'rebanho'. A escola cívico-militar cria esse rebanho, onde pensar diferente é perigoso.
Ao contrário da verdadeira educação, que estimula o questionamento do status quo, esse modelo trabalha a aceitação e a hierarquia verticalizada. Muitos monitores são policiais que não possuem licenciatura ou formação pedagógica para lidar com jovens. A educação não deve servir para aumentar a massa de manobra; ela deve ser o instrumento para que o aluno se rebele contra a ignorância e nunca aceite ter sua dignidade subtraída."