Escola insere ODM na grade curricular
Por Talita Bedinelli
Colégio particular de Campo Grande (MS) inclui os Objetivos do Milênio nas atividades que são desenvolvidas com os alunos durante as aulas.
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram inseridos na grade curricular de uma escola de Campo Grande (MS). Por dois anos, os mais de 1.200 alunos de ensino fundamental e médio do colégio Avant Garde, localizada em um bairro de classe média alta do município, terão aulas sobre os problemas sociais, econômicos e ambientais abordados nas metas estabelecidas pela ONU. Com isso, os professores pretendem estimular os estudantes a produzir pesquisas e projetos em prol da comunidade.
As atividades com foco nos Objetivos do Milênio começaram no início deste ano letivo. Os estudantes passaram a receber, com o conteúdo habitual das aulas, dados relacionados a pobreza, fome, mortalidade infantil, sustentabilidade ambiental e precariedade do ensino. “Os ODM passaram a ser uma ferramenta para os alunos a respeito dos problemas sociais da nossa comunidade e do mundo”, ressalta o professor de Geografia e coordenador do projeto na escola, Fernando Amadeu Knapik.
Todos os professores têm elaborado atividades sobre o tema, destaca Knapik. “Nas aulas de Redação do ensino médio, por exemplo, os alunos são estimulados a pesquisar e a escrever textos sobre o assunto, já pensando nos projetos que vão desenvolver. Nas de Geografia do ensino fundamental, fizemos uma apresentação baseada em dados disponibilizados no site do PNUD. E, nas aulas de Física, os estudantes estão trabalhando a questão da estatística, aprendendo a visualizar as tabelas e os dados de pesquisas, para que eles saibam fazer comparações e aprendam o verdadeiro valor das tabelas”, diz.
O projeto prevê, além das aulas, atividades extracurriculares, como palestras sobre qualidade de vida, problemas ambientais, exclusão social e precariedade da educação. A escola avalia que, com essas informações, os alunos terão uma maior base teórica para formular projetos sociais e estatísticos — como levantamentos de dados baseados em pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o próprio IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), destaca o professor.
Em 2007, os estudantes receberão orientação sobre os projetos e os colocarão em prática em comunidades pobres do município. “A maioria dos projetos que os alunos pretendem desenvolver é na área de educação. Temos um, que já é desenvolvido na escola, chamado matematicando, que pretende ensinar a Matemática de forma lúdica. No próximo ano, os alunos pretendem colocá-lo em prática também em alguma escola da periferia que precise de reforço na matéria, contribuindo com o objetivo número dois [atingir o ensino básico universal]”, exemplifica Knapik.
Para finalizar as atividades programadas, no ano que vem os trabalhos dos alunos serão apresentados em uma mostra de iniciação científica, que acontece no colégio a cada dois anos. Mas o professor esclarece que as atividades relacionadas com os Objetivos do Milênio não acabarão aí. “O projeto está sendo muito importante para sensibilizar os nossos alunos, e a partir dos ODM estamos criando um núcleo de iniciação científica em que os professores se organizarão para orientar os alunos na criação de novos projetos”, afirma.