Escola cria sistema de avaliação diferenciado
Por Ana Loiola, do Aprendiz
Sistema diferenciado de avaliação e reforço escolar são as estratégias utilizadas pela Escola Estadual Omero Fernando Milano para construir um novo modelo de escola pública. Localizada em Itaquaquecetuba (SP), a escola vem sofrendo mudanças constantes na forma de educar.
Quando assumiu o cargo, em 2002, o diretor Roberto dos Santos, juntamente com os funcionários, implantou um diferente projeto pedagógico. "Foi necessária uma mudança para garantirmos que o estudante aprenda", conta. "Com essa idéia, concentramos o estudo na leitura, escrita, fala e escuta".
O diretor conta que o primeiro ponto a ser trabalhado foi o sistema de avaliação. Ao invés de avaliações de conteúdo, a nota final do aluno passou a ser composta pelo conhecimento, desenvolvimento, atitude e respeito. Além disso, o estudante recebe uma nota por habilidade, que é dada no fim de cada bimestre. "Aqui, o respeito conta ponto. No começo os alunos não entendiam muito bem, mas agora já estão se adequando à novidade", diz.
Santos conta ainda que um dos desafios é recuperar o tempo perdido de alunos que chegam na escola - na 5ª série -, sem serem alfabetizados. "Quando buscamos esses alunos, verificamos que nunca receberam a atenção necessária onde estudaram", diz. Segundo ele, é necessário um esforço maior para reintegra-los ao ambiente escolar. Por isso, foi criada a figura do professor alfabetizador, que é responsável por ensiná-los depois da aula. "Eles ficam três horas além do horário regular. Para isso, precisamos destinar parte do dinheiro da Associação de Pais e Mestres (APM) para pagar as despesas com o almoço dos alunos", conta.
Apesar do esforço para alfabetizar, o diretor acredita que muitas vezes a necessidade do aluno é outra. "Às vezes é muito melhor levar esse aluno e sua família para dar uma volta em um parque do que ficar com ele trancado em uma sala de aula tendo reforço escolar. Mas para isso, a escola precisaria de mais recursos", lamenta.
Apesar da avaliação e do reforço escolar, o eixo central do projeto é qualificar os alunos para que possam interferir no mundo em que vivem. Desse eixo nascem os projetos que acontecem bimestralmente na escola. Os professores escolhem temas importantes, que serão discutidos nos próximos dois meses. No final de cada bimestre, os 2.500 alunos apresentam, em uma semana, diversos trabalhos relacionados ao assunto. "Como resultado, acontece uma feira onde os estudantes podem expor o produto final de suas pesquisas para toda a comunidade", explica.
De acordo com o diretor, embora ainda sejam muitas as dificuldades, é possível trabalhar por uma escola melhor. "Todo mundo precisa acreditar que é possível fazer uma escola pública de qualidade. Somente assim podemos lutar para que o conhecimento chegue de forma eficaz até o aluno", conclui.
(Envolverde/Aprendiz)