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Brasil tem 28 milhões de pessoas com deficiência, segundo estimativa de ex-ministro da Educação; especialistas defendem incentivos à aplicação da Lei de Cotas
Na audiência, Flavia Amaral Rezende, senadora Marisa Serrano, Carlos Chiarelli e alunos Amilton Paes e Adelmar Elias De acordo com estimativa apresentada pelo ex-ministro da Educação Carlos Chiarelli, há no Brasil cerca de 28 milhões de pessoas com deficiência. Nesse contexto, o ensino a distância representaria um instrumento fundamental para a inclusão social dessas pessoas — pois lhes permite não apenas o acesso à educação, mas também ao mercado de trabalho. Essa foi uma das principais avaliações feitas ontem durante audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE).
— O ensino a distância oferece "tecnologias assistivas" de que os cursos regulares não dispõem. Isso melhora as condições de acesso à educação — ressaltou Andréa Koppe, presidente da Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu), entidade sediada em Curitiba que tem entre seus objetivos a inclusão dos deficientes no mercado de trabalho.
As tecnologias assistivas se referem a serviços, equipamentos e práticas — entre outros meios — que visam facilitar a vida das pessoas com deficiência. Essas tecnologias vão desde bengalas e cadeiras de rodas até — como é o caso do ensino a distância — equipamentos eletrônicos e programas de computador especializados.
— Mas a educação a distância ainda é mal compreendida e subestimada, inclusive porque, inicialmente, foi muito mal utilizada — disse Andréa Koppe.
Para a presidente da Unilehu, o ensino a distância é capaz de qualificar não apenas os deficientes, mas a população em geral, "desde que acompanhado de tutorias, videoaulas e sistemas de certificação corretos".
— É uma ferramenta de inclusão — reiterou ela.
Dificuldades
O ex-ministro da Educação Carlos Chiarelli apontou as dificuldades que os deficientes enfrentam para participar das aulas presenciais — e acompanhá-las da mesma forma que os outros alunos. Ele ressaltou que, mesmo em escolas consideradas inclusivas — que estariam habilitadas a educar tanto as crianças sem deficiência como as portadoras —, há um alto índice de evasão escolar, que estaria acima de 50%, por parte dos alunos com deficiência.
— E a evasão acontece não porque eles não queiram estudar, mas porque [mesmo nas escolas inclusivas] se sentem excluídos — afirmou Chiarelli, que preside a Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância.
Ao defender essa solução, Chiarelli disse que os avanços tecnológicos permitem ao ensino a distância se adaptar às necessidades específicas dos deficientes, "fazendo com que eles aprendam com muito mais rapidez".
— É uma metodologia muito mais abrangente em termos de quantidade, sem que haja perda de qualidade — opina.
Chiarelli observou que os alunos portadores de deficiências "são geralmente adultos e, por isso, são mais disciplinados e têm a vontade de aprender".
A audiência foi solicitada pelos senadores Flávio Arns (PSDB-PR), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). 97480
(Envolverde/Agência Senado)
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