08/01/2009

Enade Ambiental - Avaliando os primeiros resultados

Por Roosevelt S. Fernandes*

 

Em 2007, neste mesmo espaço, apresentamos a proposta (não compulsória) de criação do ENADE AMBIENTAL, este nos mesmos moldes do ENADE (instrumento que avalia o conhecimento de estudantes, ingressantes e concluintes, de cursos de nível superior), sendo que o ENADE AMBIENTAL estaria voltado unicamente à avaliação do conhecimento ambiental dos estudantes..



A sustentação da proposta estava baseada na análise do banco de dados, coletados nos últimos cinco anos (inclusive de pesquisas realizadas no exterior) pelo Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA, envolvendo estudantes do ensino fundamental, médio, médio-técnico e superior, possivelmente o banco de dados mais completo, no Brasil, em relação a este tipo de pesquisa.



Diante das evidências das Mudanças Climáticas, infelizmente ainda não absorvidas na plenitude pela sociedade como um todo, é fácil inferir a importância de que os nossos futuros gestores (preferencialmente os graduados em todos os cursos de nível superior) tenham um conhecimento básico da temática ambiental, pois a eles, nas empresas ou entidades onde estiverem atuando, queiram ou não, terão a obrigação de gerenciar os impactos ambientais decorrentes de suas atividades.



Foi esta a preocupação básica que nos levou a estruturar uma forma efetiva – quantitativa – de poder avaliar este conhecimento ambiental para estudantes de diferentes cursos (modalidades de graduação) de modo a verificar se tais níveis de conhecimento estavam compatíveis com a expectativa mínima que permita assegurar um perfil de cidadania ambiental às exigências ambientais que hoje estamos vivenciando.



Em fins de 2008, através de convênio técnico-científico entre duas instituições de ensino superior da Grande Vitória, tomando como base um questionário desenvolvido pelo NEPA (abordando cerca de 60 aspectos diferenciados da temática ambiental), fez-se a aplicação do ENADE AMBIENTAL a estudantes dos cursos de Administração e de Engenharias, envolvendo ingressantes e concluintes dos cursos citados, das duas instituições de ensino.



O objetivo maior será a ampliação da pesquisa, envolvendo outros cursos de nível superior, estando previsto, para a próxima etapa, os cursos de Direito e Farmácia.



Como previsível, mas agora quantificado, as pesquisas realizadas mostram que os estudantes pesquisados apresentam conhecimento ambiental em algumas áreas, mas há a necessidade, sobretudo para alguns segmentos de informações, de estruturar formas mais eficazes de inserir os aspectos voltados ao Meio Ambiente, essenciais a formação da cidadania ambiental dos jovens que se formam e chegam ao mercado de trabalho.



Alguns criticam (infelizmente sem fundamentação) que este tipo de pesquisa não apresenta soluções para os fatos decorrentes das não conformidades no conhecimento ambiental que são identificadas e quantificadas quando da realização da mesma. Entretanto, e nos parece evidente este aspecto, pesquisas como o ENADE AMBIENTAL são essenciais para que, a partir do diagnóstico efetivado se possam definir ações estruturadas, sobretudo levando em conta a realidade de cada curso (grade curricular) e o contexto particular de cada instituição de ensino.



Ou seja, o ENADE AMBIENTAL não visa comparar instituições de ensino em relação ao nível de conhecimento ambiental de seus estudantes, mas sim gerar um banco de dados, decorrente da ampliação das informações decorrentes de diferentes instituições, que possam servir de base para intervenções de maior espectro, nas grades curriculares de seus tais cursos. Por outro lado, para cada instituição individualmente, tais informações irão facilitar em muito a ação dos gestores dos cursos de modo a inserir ações preventivas e corretivas nas formas de abordagem das temáticas ambientais em seus cursos.



Segundo uma visão macro, a Educação Ambiental hoje oferecida no Brasil está carecendo de uma profunda reavaliação, onde se priorize não apenas o ato de “oferecer” a Educação Ambiental (essencial), mas, sobretudo, acoplá-la a sistemas de avaliação que possam mensurar a eficácia de tais programas (imprescindível).



Entendemos as reações de alguns educadores ambientais em relação à adoção compulsória de sistemas de avaliação dos Programas de Educação Ambiental que são colocados à disposição da sociedade. Porém não concordamos, pois são significativos os investimentos feitos neste campo, o que nos leva a inferir que tais recursos devam, obrigatoriamente, assegurar resultados mensuráveis e positivos.



Compreendemos também a reação de alguns estudantes que se mostram contrários ao que chamam de um “outro instrumento imposto de avaliação do seu conhecimento”, entretanto, estes estudantes não podem esquecer que a proposta do ENADE AMBIENTAL é não compulsória, ou seja, só será adotada se a instituição a que ele está vinculado adote o procedimento, sendo uma contribuição, progressiva e contínua, dos alunos concluintes em relação aos ingressantes.



*Coordenador do NEPA.


(Envolverde/Jornal do Meio Ambiente)
 
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