11/05/2011

Empresas apostam em “business intelligence”

Softwares que auxiliam a organizar informações sobre a empresa e o mercado ficam mais acessíveis e ajudam a melhorar desempenho das companhias. Imagine uma oficina mecânica que gaste uma hora de trabalho para fazer o alinhamento e o balanceamento de pneus de um automóvel, serviço pelo qual tem um lucro de R$ 50. A mesma oficina ganha R$ 40 para realizar a troca de óleo de um carro, mas gasta apenas meia hora para completar o serviço. Ao analisar o tempo gasto e o lucro recebido com cada trabalho, é do interesse do dono do estabelecimento alocar seus esforços para conseguir mais clientes que precisem realizar a troca de óleo do que o alinhamento e o balanceamento. Em um período igual de uma hora, ele ganha – ou deixa de ganhar – R$ 30, dependendo da atividade realizada.

Ainda que num negócio pequeno essas decisões sejam relativamente fáceis de serem tomadas, à medida que as variáveis aumentam a melhor escolha para elevar a eficiência da empresa nem sempre é tão óbvia. Decidir o que vender, onde e para quem pode envolver inúmeros fatores, da idade do cliente ao clima da região em que o produto está sendo comercializado. É para atuar na análise de dados e, principalmente, na extração de informações relevantes para as empresas que está ganhando espaço nas companhias brasileiras o serviço de “Business Intelligence” – e também do profissional que atua nessa área, o BI (pronuncia-se “bi ai”), conforme o jargão do mercado.

O economista Fabio Alamini largou o cargo de analista financeiro do HSBC, no ano passado, para criar, com o sócio Dan Maia, a BIway, especializada em inteligência de mercado. A consultoria já conta com clientes como Positivo, Renault, Kraft e Pe­­­­tro­bras, mas diz que o serviço também é acessível para empresas menores. “A grande questão é que muitas companhias acumulam dados, mas não conseguem transformá-los em informação estratégica para a tomada de decisões. Com software específico para isso, nós ajudamos a realizar esse trabalho”, diz Alamini. O software utilizado também tem versão para smartphones e tablets, o que permite ao usuário acompanhar as informações sobre seu negócio praticamente em tempo real.

Na Nutrilatina, empresa de suplementação alimentar e nutricosméticos, três funcionários atuam exclusivamente no setor de inteligência de mercado. “O maior benefício que a estrutura [da área de BI] proporcionou ao nosso negócio foi o amplo domínio das informações de mercado, nos permitindo planejar e maximizar o retorno dos investimentos”, afirma Marcello Lauer, diretor-superintendente da Nutri­latina. Com base nas informações levantadas pela equipe de BI, por exemplo, a empresa lançou uma nova linha de produtos de nutriconcentrados voltado para o público masculino, a Rennovee Homme.

O consultório de odontologia Oxplen adotou um software de BI no mês passado. “Já percebemos claramente com quais serviços gastamos mais tempo e no que devemos focar para agregar mais valor no que oferecemos”, diz Jefferson Silveira de Souza, diretor-executivo da Oxplen.

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