Em processo de construção de greve
Por Cristiane Bonfanti, da UnB Agência
Com a presença de 146 docentes, categoria aprova estado de assembléia geral permanente para facilitar convocações
Os professores da Universidade de Brasília (UnB) aprovaram estado de assembléia geral permanente em reunião da categoria na manhã desta quarta-feira 08 de agosto. Isso significa que, a partir de agora, eles podem convocar assembléias a qualquer momento. Antes, as reuniões tinham de ser marcadas com, no mínimo, 48 horas de antecedência. Dos 146 docentes que compareceram ao encontro, a maioria foi favorável e houve apenas três votos contrários, além de uma abstenção. "A decisão facilita o processo de mobilização porque poderemos agir com mais rapidez", explica a vice-presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (AdUnB), Graciela Doz de Carvalho.
A idéia inicial era deliberar a respeito do indicativo de greve, mas o posicionamento foi adiado para a próxima assembléia, cuja data ainda não foi definida. Mesmo assim, a presidente da AdUnB, Rachel Nunes, avalia positivamente o encontro e afirma que a categoria está em processo de construção de greve. Isso porque apenas 18 professores haviam participado da última assembléia, realizada no dia 12 de julho.
Mobilização - Além disso, foi criada uma comissão de mobilização da greve. Com cerca de 10 docentes, o grupo elaborará um calendário de atividades e trabalhará para envolver a comunidade acadêmica nas discussões. "É importante debater temas como a reestruturação da universidade. Não somos contrários à expansão do ensino superior, mas ela deve ser acompanhada da oferta de infra-estrutura", afirma Rachel.
A categoria luta por mudanças salariais desde março, mas ainda não houve sinalização de apoio por parte do governo federal. Entre as reivindicações dos professores, está a proposta de uma nova tabela salarial que recupere, por exemplo, a paridade entre ativos e aposentados, tradicional pauta docente. Os professores também lutam contra a restrição do direito à greve e contra o Projeto de Lei Complementar 01/07, que limita os gastos com pessoal por 10 anos. Para eles, isso significaria o congelamento salarial até 2017.
"O direito de greve está ameaçado e nós precisamos entrar nesse debate porque essa é a nossa arma para conseguir melhorias", observa o professor do Departamento de Música (MUS) da UnB Jorge Antunes.
Crédito da imagem: Daiane Souza/UnB Agência
(Envolverde/UnB Agência)