02/12/2008

Educadores e artistas discutem o papel da educação na Bienal de SP

Por Vivian Lobato, do Aprendiz

 

“As Bienais geram diversos momentos de experiência. Observações, relatos e relatórios pós-visitas fazem parte do processo. O intermediador, seja monitor ou educador, tem um papel fundamental, pois consegue realizar a ponte entre o artista e o público”, disse o artista Carlos Uchôa durante o Simpósio Educação e Arte Contemporânea “em vivo contato”, que aconteceu no último domingo (30/11) no Porão das Artes, Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo (SP). 


Promovido pela 28ª Bienal de São Paulo (BSP), o encontro buscou revelar a influência de projetos educativos de edições anteriores da mostra, trazer à tona a memória dessas ações promovidas ao longo da história da instituição e compartilhar experiências e referências com outras ações educativas com arte contemporânea. Estavam presentes no evento artistas, educadores e coordenadores de projetos educativos em arte contemporânea.


A consultora em Educação, Maria Tornaghi, que atuou na parte educativa da 21ª BSP, constatou que a arte muitas vezes se volta para os valores diários, do cotidiano, mas, mesmo com essa proximidade, necessita de um intermediário, de estratégias de aprendizagem. “São três atores importantes na hora do processo de construção de sentido: a obra, o mediador e o público. A Bienal aborda públicos diferenciados e deve ter diversas linhas de atuação. Por isso é chave a presença de um educador referência”, explicou.


“De início, a Bienal era mais voltada para um público crítico. Hoje, com entrada gratuita, ela recebe de 500 mil a 1 milhão de visitantes. Por conta disso, ela tem que pensar o que é o público, pensar numa experiência de reflexão”, completou Guilherme Teixeira, artista que participou das 24ª, 27ª e 28ª edições da Bienal.


Formação e auto-formação


Os artistas presentes no Simpósio revelaram o quanto foi importante participar dos cursos de formação em Bienais passadas, tanto para entender o conceito de arte contemporânea vigente na época, como para suas próprias reflexões e objetos de pesquisa. A maioria deles participou como monitor e educador de Bienais passadas e, para isso, fizeram o curso de formação.


“O trabalho do artista não é só realizar obras. Existe um processo único por trás, que envolve um pensar educativo. Lembro da 18ª Bienal, na qual participei como monitora. Realizávamos um curso com oito meses de duração antes de entrar na Bienal. Um curso completo de formação em arte contemporânea, maravilhoso. Apresentávamos seminários, pesquisas, tínhamos contato com os artistas presentes no evento”, contou a artista Geórgia Kyriakakis,


Carla Zacagnini, artista argentina, que está participando dessa Bienal com a obra “Reação em Cadeia Com Efeito Variável” e já participou de edições anteriores (22ª e 24ª), concordou com Geórgia. “O curso de formação para educadores e monitores da Bienal trás um pensamento sobre a arte que se faz presente naquele período, o que é muito raro na faculdade. Esse é um diferencial, além do contato direto e continuado com a obra, que é muito enriquecedor”.


Além do curso de monitoria e de educadores, que tem sua duração definida pelo curador, a Bienal de São Paulo também oferece curso de formação de professores para arte contemporânea. “Infelizmente, os cursos têm sido mais curtos em decorrência da crise”, lamentou Ivo Mesquita, curador da 28ª Bienal. O Artista Guilherme Teixeira emendou: “Existe uma crise vocacional, uma crise institucional e uma crise educacional. Todos nós somos culpados por essas crises, porque não nos importamos com as gestões institucionais. Precisamos repensar isso”.


 


 


(Envolverde/Aprendiz)
 
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