20/06/2006

Educação: Universitários rompem barreiras geográficas

Por Haider Rizvi

Nova York, 19/06/2006 – Procurar educação superior no exterior não é um luxo exclusivo de habitantes de países ricos. Os estudantes das regiões mais pobres do mundo também o fazem, e, inclusive, superam em número seus colegas do Norte industrializado. Os estudantes da África subsaariana são os que mais viajam: Um em cada 16 chega a se matricular em uma universidade estrangeira, segundo informe da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Por outro lado, apenas um em cada 250 estudantes da América do Norte, incluindo o México, cursa estudos superiores no exterior. Essa região tem o “grupo menos móvel”, segundo o relatório, incluído no Compêndio Mundial da Educação 2006, do Instituto de Estatística da Unesco. O trabalho segue o passo dos chamados “estudantes móveis” e analisa as últimas tendências nos planos educacionais do ensino de segundo grau e de ensino superior de mais de 200 nações.

Entre 1999 e 2004, o número de estudantes móveis em todo o mundo aumentou de 1,75 milhão para 2,5 milhões, o que revela uma “expansão rápida e generalizada da educação superior”, segundo os pesquisadores. “Este informe demonstra que a dinâmica real na educação superior vem dos alunos africanos, árabes e chineses. Eles são a força motora por trás da internacionalização da educação superior”, destacou o diretor do Instituto, Hendrick van der Pol. Cerca de 14% dos universitários estudam nos Estados Unidos, Japão e Grã-Bretanha.

Os pesquisadores da Unesco consideram que a distribuição global do ensino universitário “mudou drasticamente”. Em 1999, houve tantos estudantes da África oriental quanto da Europa ocidental matriculados fora de seus países. Mas quatro anos depois, os primeiros passaram dos segundos em um terço. Os estudantes da África subsaariana ainda são os mais móveis do mundo. Vários países da região têm menos estudantes fora do que dentro de suas fronteiras.

Os pesquisadores indicam que a maioria dos estudantes subsaarianos é obrigada a viajar diante do limitado acesso às universidades locais e à baixa qualidade destas. Seus principais destinos são França, que recebe 21% do total; Grã-Bretanha com 12%; Alemanha com 6%, e Portugal com 5%. O relatório diz que, na maioria dos casos, esses jovens raramente são incluídos nas estatísticas nacionais. Em Cabo Verde, por exemplo, apenas 6% da população em idade universitária está matriculada em cursos universitários. Esse numero duplicaria se fossem contabilizados os que estudam no exterior.

De modo semelhante, a proporção de matrículas aumentaria de 17% para 24% em Mauricio, e de 6% para 11% em Botswana se os estudantes em universidades estrangeiras fossem incluídos nos censos. Em uma tentativa de conseguir uma perspectiva global, os pesquisadores da Unesco usam novos indicadores para avaliar o fluxo de estudantes dentro e fora de mais de 100 países. Segundo seus estudos, cerca de 23% dos estudantes móveis do mundo vão para os Estados Unidos, 12% para a Grã-Bretanha, 11% para a Alemanha, 10% para a França, 7% para a Austrália e 5% para o Japão.

O relatório também revela que os estudantes móveis representam, pelo menos, 17% dos matriculados em universidades australianas e 13% nas britânicas. Nos Estados Unidos e no Canadá, diminuíram 3%. O estudo não explica a razão para a queda de matrículas de estrangeiros nos Estados Unidos, mas vários informes a atribuem às rígidas políticas de vistos e às medidas de segurança adotadas depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington.

No ano escolar de 2002, quase 600 mil estrangeiros estudaram em universidades norte-americanas. Entre 2003 e 2004, esse número caiu para 14 mil e, entre 2004 e 2005, se matricularam 560 mil. Por outro lado, os países árabes registraram um aumento constante na mobilidade durante os últimos cinco anos. Os estudantes dessas nações agora representam 7% do total mundial de inscritos em centros acadêmicos fora de seus países. Em Djibuti, por exemplo, há três estudantes no exterior para cada dois que ficam no país. O estudo mostra tendências similares na Mauritânia, no Marrocos e Qatar, onde a proporção de universitários fora das fronteiras é de 22%, 15% e 13%, respectivamente.

Por sua vez, os países da Europa ocidental, principalmente França, Alemanha, Itália e Grécia, enviam mais de 400 mil estudantes para o exterior, o que representa 17% do total global. Também há mais estudantes no estrangeiro do que em casa em Chipre, Andorra e Luxemburgo. Os da Ásia meridional e ocidental constituem cerca de 8% do total global de matriculados fora de seus países. Dois terços procedem da Índia e a metade busca educação universitária na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, enquanto 25% preferem Grã-Bretanha e Austrália.

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