21/03/2024

Educação Pública, Autismo e Laudo Tardio

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

www.wolmer.pro.br

 

Interessante saber o quanto a sociedade é mal informada em relação aos problemas dos outros.

Vivemos em um mundo que representa cada um por si ou cada um com seus pares, e o resto, ah, é totalmente desnecessário.

Assim sendo, os autistas sem laudo são os que mais sofrem por terem dificuldades em encontrar seu pares ou simplesmente por não fazerem parte destes contextos, o que remete ao texto de Nietzsche se referindo ao Zaratrusta em seu livro Así hablo Zaratrusta, no qual é falado que “caminho só porque sou amigo das marchas solitárias”, e assim é a vida de um autista sem laudo.

A importância do laudo não está em provar para os outros que você é uma pessoa neuroatípica, mas uma forma de buscar o autoconhecimento e entendimento sobre a sua realidade.

Nem todas as pessoas conseguem lidar com a solidão, e o pior, é uma solidão que tem o seu cerne na falta de empatia e no preconceito, e não por um simples capricho do autista.

Fátima de Kwant[1] elucida que em relação ao autismo em particular nível 1, a chance de suicídio é nove vezes mais frequente do que nos jovens sem autismo, e 28% dos jovens autistas nível 1, já pensaram ou pensam constantemente em tirar a própria vida.

Essa informação é muito forte e se torna um fator preocupante em uma sociedade que está perdendo a sua humanidade.

Autistas sem laudo são pessoas incompreendidas, rotuladas e até mesmo excluídas, embora muitos consigam lidar com isso, o fantasma de exclusão vem sempre assombrá-los.

Interessante perceber a importância da educação na sua ação transformadora, trabalhando o discernimento das pessoas e fazendo com que elas possam ser mais humanas, sensatas e acolhedoras.

Autismo não tem cara e isso pode ser visto como um empecilho para uma melhor compreensão e aceitação do comportamento alheio, sendo confundido com grosserias, insensibilidade e falta de educação.

Faz-se necessário trabalhar uma educação pela vida e para a vida, como afirma Émile Durkheim, em sua obra Educação e sociologia, publicado pela Lisboa Edições em 2007. Para Durkheim, a educação deve desenvolver nos educandos certo número de estados físicos, intelectuais e morais.

Quando tivermos realmente uma educação pública de qualidade não focando no tecnicismo conteudista, e sim nas competências socioemocionais, teremos uma sociedade com um menor índice de exclusão e em concomitância com menor taxa de suicídio.

 

[1] https://www.canalautismo.com.br/artigos/autismo-e-suicidio/#:~:text=No%20que%20diz%20respeito%20ao,S%C3%A3o%20dados%20alarmantes.

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