Educação pode destravar Brasil, diz Sachs
Para o economista Jeffrey Sachs, o crescimento econômico brasileiro depende de investimentos em ensino e capacitação tecnológica.
Destravar o progresso econômico no Brasil requer mais investimentos em educação e em capacitação tecnológica e científica, defendeu o economista Jeffrey Sachs, diretor e professor do Earth Institute, da Universidade de Columbia, e assessor de economia internacional do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan. Em uma palestra em São Paulo para diretores de empresas multinacionais, ele disse que o país está “no caminho certo”, embora não exatamente no ponto certo, de alcançar o ritmo de desenvolvimento do sul da Ásia.
Em apresentação na tarde de terça-feira, no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Sachs enfatizou que o Brasil tem condições de atingir, ainda nesta geração, um patamar de desenvolvimento elevado, e que o país já tem “as políticas certas” para garantir a inclusão social de negros, indígenas e dos demais grupos marginalizados. Por outro lado, ele disse achar “incrível” que o Brasil ainda tenha, em algumas regiões, níveis tão baixos de educação. “A taxa de ensino básico fica abaixo de 50% em alguns casos. Como uma pessoa pode conseguir emprego sem ensino médio?”, criticou. Apesar disso, para ele “os dados oficiais mostram que o Brasil está a caminho de se tornar um dos grandes líderes mundiais do século 21”.
O economista ainda contou que, antes da palestra, ele se reuniu em Brasília com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e com o embaixador dos EUA no Brasil, Clifford M. Sobel, para conversar sobre os problemas brasileiros, e que um dos assuntos discutidos foi o desmatamento da Amazônia. “É preciso evitar que cortem a Amazônia inteira para vender soja para a China. Perder a Amazônia seria uma grande perda para a Terra”, afirmou. “As forças de mercado não foram criadas de acordo com as leis do meio ambiente. É preciso impor um custo: esse é o preço que você vai pagar por cortar árvores”, completou.
A China, por exemplo, corre um grande risco ambiental, na opinião de Sachs. Para ele, o gigante asiático já enfrenta problemas ecológicos que devem se agravar no futuro. “Para mim, o grande risco da China hoje é o meio ambiente”, afirmou. (PrimaPagina)