13/04/2021

Educação, Pandemia e Reflexão

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

 

É tempo de pandemia, isolamento e principalmente reflexão; afinal de contas, já ultrapassamos 350 mil óbitos que infelizmente representam: descaso, indiferença e desgoverno na atual conjuntura política.

O mundo está cercado de falsos messias, como exemplos, temos pastor evangélico pedindo desculpas aos fieis e dizendo que Deus mentiu para ele, temos representantes políticos enaltecendo a família, agredindo mulheres e matando criança com socos e chutes; temos também político que o usou os bons costumes da família tradicional, mas que está casado pela terceira vez e sempre levando uma vida leviana assumida, já que afirmava usar o auxílio-moradia para "sair com mulheres", enfim, temos todos os tipos de hipócritas sem respaldos morais e éticos, fazendo de tudo e se protegendo nos escudos da família e de Deus.

O Brasil politicamente está sendo representado pela escória humana, todavia, a educação pública terá um árduo trabalho quando as aulas retornarem na modalidade presencial.

Tal trabalho não será só em esclarecer, mas educar de forma correta esta massa alienada e subalterna, e isso demandará tempo e esforços hercúleos dos verdadeiros educadores.

A pandemia no Brasil tomou o viés da politicagem, o que está dizimando vidas e sonhos. Contudo, alguns políticos querem fazer uso desta pandemia para subir degraus e ganhar prestígio, incitando movimentos para volta às aulas, porém se olvidam de que para as aulas retornarem de forma como era antes, é vital que todos envolvidos neste processo ensino-aprendizagem estejam vacinados, não apenas os profissionais da educação, como também, os profissionais responsáveis pela manutenção e limpeza da instituição escolar bem como os alunos.

Hoje o Covid-19 não atinge mais um perfil específico como idosos e pessoas com morbidades, dito isso, pode-se constatar que os jovens agora estão sendo as maiores vítimas, como demonstrado abaixo:

Jovens com Covid-19 são maioria nas UTIs pela primeira vez no Brasil. O número de pessoas sem comorbidades que precisam de ventilação mecânica também saltou[1].

 

Jovens na UTI já são maioria e necessidade de ventilação mecânica bate recorde. Total de internados em unidades de terapia intensiva sem comorbidades atinge maior patamar[2].

 

Pela primeira vez na pandemia, jovens são maioria nas UTIs. Em março, 52,2% das internações nas UTIs do Brasil se deram para pessoas até 40 anos, dados são de entidade de médicos intensivistas[3]

 

Médicos relatam choque com UTIs lotadas de jovens com covid-19: 'Temem perder olfato, mas perdem a vida'[4]

 

Observe que estas informações não estão relacionadas a fakenews, o que tem sido comum entre os políticos negacionistas. Trata-se apenas de fatos que estão exterminando a juventude bem como a esperança de mudanças de um país, já que  o futuro de uma nação está em sua juventude.

É imprescindível que todas as pessoas sejam vacinadas, assim quando as aulas retornarem a modalidade presencial, este retorno não traga como consequências vidas ceifadas e a dilaceração de sonhos promissores.

Assim sendo, que possamos, como aduzido por Leandro Karnal em Educação#EmFamilia apresentado pela Conexa, nos abster um pouco o lado conteudista e focarmos no desenvolvimento humano, já que os desníveis serão gritantes entre os educandos das escolas públicas e privadas quando retornamos as atividades presenciais.

Complementando a fala acima, que possamos também, ensinar nossos alunos a serem adaptáveis, autônomos e críticos para que o aprendizado seja aplicável a sua realidade de cada um e, para que os educandos possam dar um passo importante para frente, sabendo lidar com surpresas e desafios.

Leandro Karnal complementa ao esclarecer que precisamos desenvolver em nossos educandos, habilidades para enfrentar o desconhecido.

E que nós educadores possamos também conforme o livro Educação um ato político, publicado pela Autografia em 2019, politizar nossos alunos para que estes não sejam manipulados pelos políticos supracitados no texto e que tenham sempre discernimento e dignidade para continuarem sonhando e sendo protagonistas de um Brasil com mais equidade, minimizando assim as diferenças socioeconômicas e erradicando a miséria, já que a verdadeira miséria está na privação das pessoas construírem suas próprias oportunidades.

Corroborando com as falas acima, Herbert de Souza em entrevista com Rodrigues no livro Ética e Cidadania, publicado pela Moderna em 1994 é enfático ao esclarecer que tanto a miséria quanto a fome é uma exclusão da terra, da renda, do emprego, da educação, da economia e da cidadania, e quando uma pessoa está na miséria e consequentemente passa fome, é sinal de que tudo mais lhe foi negado. Trata-se de um cerceamento moderno ou de exílio.

Cabe observar que esta pandemia está ressaltando ainda mais a miséria em que nosso povo se encontra, sendo este dizimado ou pelo Covid-19 ou pela miséria, o que é corroborado por Antunes e Galvão em texto exposto no jornal da UNICAMP, intitulado Aumento da miséria extrema, informalidade e desigualdade marcam os dois anos da Reforma Trabalhista, publicado em 2019[5].

Dito isso, interessante perceber as falas da filósofa russo-americana Ayn Rand, que foi uma judia fugitiva da revolução russa de 1920 e que fixou residência nos Estados Unidos. Para a filósofa,

Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.

 

Apesar de estarmos vivendo tudo o que foi citado pela filósofa, temos a convicção que a educação ainda é o melhor caminho para revertemos esta situação, desta forma, que na volta as aulas presenciais, possamos fazer a diferença e com o tempo, erradicar estes falsos messias e políticos hipócritas que estão a representar um povo que não consegue perceber quando foi que perdeu sua dignidade, e que possamos de alguma maneira, resgatá-la e fazer deste povo alienado, seres protagonistas cognoscentes.

 

[1] Para mais informações vide https://saude.ig.com.br/2021-04-10/jovens-com-covid-19-sao-maioria-nas-utis-pela-primeira-vez-no-brasil.html

[2] Para mais informações vide https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/jovens-na-uti-ja-sao-maioria-e-necessidade-de-ventilacao-mecanica-bate-recorde.shtml

[3] Para mais informações vide

https://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/cidades/NOT,0,0,1603025,pela+primeira+vez+na+pandemia+jovens+sao+maioria+nas+utis.aspx

[4] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56500800

[5] Para mais informações, vide https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2019/11/11/aumento-da-miseria-extrema-informalidade-e-desigualdade-marcam-os-dois-anos

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