Educação indígena deve respeitar diversidade
Por Stefano Azevedo, do Aprendiz
O índio é um elemento fundamental da identidade nacional e sua diversidade deve ser respeitada nas práticas educacionais. Este foi o ponto central da apresentação do pesquisador Daniel Munduruku, diretor presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI) e membro do povo indígena Munduruku, durante VI Semana da Educação, na cidade de São Paulo (SP). O evento foi promovido pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP).
“Na política, na cultura, na arte, na educação, o lugar dos índios está mal definido. Isso porque eles são tratados como se fossem iguais, sem levar em conta a diversidade”, disse Munduruku.
O pesquisador contou que a política para os índios durante a ditadura militar era de integrá-los ao povo brasileiro, fazendo-os abandonar seus antigos hábitos. “Os professores ensinavam o português e diziam que nossos antigos idiomas eram inferiores, assim como nossas maneiras de ser e pensar. Entre os jovens, era cada vez mais freqüente a vergonha de ser índio, a vergonha de ser aquilo que é”, disse. Hoje, o Brasil tem 227 povos indígenas que falam 180 línguas.
Munduruku acrescentou que tem grandes receios com a aplicação da Lei Nº 11.465/08 que torna obrigatórias as aulas de história e cultura do povo indígena para alunos do ensino médio e fundamental de escolas públicas e particulares do país.
Sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicada no Diário Oficial da União em 11 de março, a lei altera um artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e substitui a Lei nº 10.639/03, que já previa a inclusão da temática afro-brasileira nos currículos das redes de ensino. Segundo o novo texto, todas as escolas de ensino fundamental e médio, tanto públicas quanto privadas, devem conferir o mesmo destaque ao ensino da história e cultura dos povos indígenas. Assim, todas as disciplinas, especialmente História, Geografia e Literatura, devem incorporar a contribuição dos negros e indígenas à cultura brasileira.
“As primeiras pessoas que precisam ser educadas são os professores, porque muitos deles até hoje reproduzem a idéia de índio que era passada nas escolas dos anos 70. Os professores têm que entender que nós não somos uma coisa única. Não só o índio, mas nós todos, humanos, não somos uma coisa única”, explicou.
(Envolverde/Aprendiz)