Educação-Ibero-América: Bolsas para o desenvolvimento e a igualdade
Por Tito Drago, da IPS
Madri, 21/12/2006 – A Fundação Carolina colocou a partir desta quarta-feira à disposição de latino-americanos e espanhóis 1.650 bolsas de estudo, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento e a igualdade social e de gênero, uma convocação que estará aberta até o dia 4 de março. Deste modo, a fundação aumentou o número de bolsas em 150, com relação ao ano que está terminando, e multiplicou sua quantidade por cinco desde que em 2000 iniciou esse trabalho.
Sua diretora, Rosa Conde, disse à IPS que “durante 2007 haverá novas idéias estratégicas para ir incorporando na oferta educacional programas que atendam melhor às necessidade em educação de terceiro grau e desenvolvimento humano dos países da América Latina, bem como critérios de igualdade nos processos de seleção”. As bolsas têm como meta facilitar e promover a ampliação de estudos de quem tem curso universitário e de pós-graduação, além de professores, profissionais e pesquisadores procedentes da região.
Para esta edição, a fundação quer impulsionar o aumento de bolsistas dos países prioritários para a cooperação espanhola, ou de regiões com menores índices de desenvolvimento humano. Além disso, e como novidade, agora orientará a promover o equilíbrio de gênero, tanto por fazer com que as bolsas sejam distribuídas de maneira igual entre mulheres e homens quanto pelos temas educativos que serão apoiados. Do total de bolsas, 1.114 estarão destinadas para estudos de pós-graduação (mestrado oficial e títulos próprios da Fundação), 361 para doutorado e estâncias curtas pós-doutorados, e 175 para formação permanente. Está última modalidade está aberta indistintamente para cidadãos latino-americanos e espanhóis.
A Fundação Carolina foi criada em 2000 pelo governo espanhol do primeiro-ministro José María Aznar (1996-2004, de centro-direita), e seu presidente de honra é o rei Juan Carlos. Entre os membros natos de seu conselho diretor estão o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero; a primeira vice-primeira-ministra, María Teresa Fernández de la Veja; quatro ministérios; a secretária de Estado de Cooperação Internacional, Leire Pajín, e o diretor da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, Juan Pablo de Laiglesia.
Sessenta e cinco por cento do orçamento do programa de bolsas provêm da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, e os 35% restantes das empresas privadas que integram a Fundação, entre elas as maiores do país com interesses na América Latina, como Telefonica, Banco Santander, Repsol-YPF e a companhia editorial Grupo Planeta. Desde 2004, quando assumiu a direção da entidade uma nova equipe liderada por Rosa Conde, que foi porta-voz do governo socialista do primeiro-ministro Felipe González (1983-1996), o programa de bolsas se apóia no princípio democrático de igualdade de oportunidades dos cidadãos ibero-americanos.
Sua nova linha estratégica aposta em maior apoio à universidade estatal latino-americana, à diversificação geográfica, ao aumento do número de bolsas nos países prioritários para a cooperação espanhola, ou seja, de regiões com menores índices de desenvolvimento humano e potenciando o equilíbrio de gênero. A convocação destas bolsas tem entre seus objetivos chegar a um número maior de potenciais bolsistas, mas, em especial, àqueles com menores oportunidades e que procedem de países prioritários ou de zonas com menor desenvolvimento, explicou a porta-voz da Fundação, Raquel Martínez Gómez.
“O compromisso da Fundação Carolina é oferecer aos profissionais latino-americanos oportunidades que garantam uma formação de qualidade para que possam, depois, contribuir com o desenvolvimento de seus países de origem”, acrescentou Gómez. Com o objetivo de adaptar mais a oferta e seleção de bolsas aos objetivos de desenvolvimento e igualdade, a Fundação realizará para está convocação três estudos. Um sobre as necessidades de formação em matéria de educação de terceiro grau na América Latina; outro sobre opiniões, expectativas, motivações e valorização dos bolsistas; e o terceiro destinado a definir uma estratégia para a seleção dos beneficiários, que tenha em conta a formação com igualdade para o desenvolvimento de seus países.
Nessa linha, uma das novidades introduzidas para propiciar a igualdade de oportunidades nas bolsas de doutorado dos países de menor renda é a negociação com entidades de crédito em origem e um aporte maior da Fundação para os gastos de manutenção e alojamento. Com isso se chegará a 80% dos mesmos, 50% a mais do que a Fundação coloca para bolsas em outros países. Quem desejar disputar uma destas bolsas pode consultar as condições e enviar seu pedido informando-se através do site http://www.fundacioncarolina.es.
O processo de seleção vai durar aproximadamente até setembro e começará com currículos pelas instituições ou universidades que oferecem os cursos e uma rodada de entrevistas pessoas feitas por responsáveis do Programa de Bolsas da Fundação nos países de origem dos solicitantes. Na convocação de 2005 apresentaram-se 37.369 candidatos e 111.948 solicitações, pois cada participante pode apresentar até três propostas e, após a seleção prévia, foram entrevistados pessoalmente mais de 1.700 pessoas. (IPS/Envolverde)