Educação Fomentando a Sororidade
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
A falta de consciência é algo que pode ser remediado principalmente com uma educação de qualidade, seja a consciência de classe, política ou de raça; todavia, falta também o entendimento de pertencimento.
Peguemos como exemplo a sororidade, que se trata de uma palavra derivada do latim soror (irmã), que passa a ser vista como um pilar do feminismo e que tem o seu cerne no respeito, acolhimento e isonomia. Esta palavra lida com a irmandade feminina e promove a união, empatia, solidariedade e apoio mútuo e incondicional entre as mulheres, para que possam combater o machismo[1], a misoginia e o feminicídio. Todavia, na contramão da civilidade, existem parlamentares femininas que, ao invés de lutar pela igualdade salarial[2],, pelo respeito e denunciar pessoas que fazem uso do assédio — seja ele moral ou sexual, com intuito de afrontar e diminuir qualquer pessoa do sexo oposto à cultura fálica —, são verdadeiras apoiadoras da misoginia.
Essas mulheres se olvidaram de que são a maioria da população do Brasil, o que representa 51,5%, ou seja, mais de 104 milhões; em contrapartida, como parlamentares, temos apenas 18% na Câmara dos Deputados e 19,8% no Senado Federal (conforme dados do Portal da Câmara), e destas poucas representantes, muitas são favoráveis à cultura fálica, desconhecendo o verdadeiro significado de sororidade.
Estas parlamentares assumem um patriarcado por procuração; isto porque estas mulheres procuram validação por alcançarem esta posição de poder e utilizam suas vozes para legitimar a misoginia. Elas são a própria ferramenta de manutenção do sistema que as sub-representa, barganhando, assim, a força do coletivo por uma ilusão de segurança egoísta ou até mesmo aceitação em círculos de poder masculinizados.
A falta da sororidade implica na rivalidade feminina com a sabotagem e desconfiança, dificuldade de ascensão e até mesmo estresse, o que reverbera também no enfraquecimento da luta por direitos, o que reforça o patriarcado, implicando, assim, na baixa autoestima e isolamento. São mulheres que vivem uma luta individualizada e não mais coletiva. É como se fosse cada uma com seu problema; ou seja: "se ela foi violentada por alguém, é problema dela, porque se fosse comigo, não aconteceria isso".
É o descaso como voz e vez nos parlamentos. É o medo da represália por se sentir só ao denunciar; enfim, é o medo fazendo com que o feminicídio vire apenas estatísticas em que o ato insano foi só um caso isolado e, talvez, merecedor. A sororidade faz a mulher perceber que a indiferença dá força à barbárie e que a união entre elas não se trata apenas de movimento feminista, e sim de um movimento por uma vida digna e igualitária.